O governo italiano interditou o Coliseu e suspendeu suas obras após a morte do operário Andrea Moretti, de 22 anos, que caiu de cerca de 10 metros durante a instalação de iluminação no local. Inicialmente, apenas o andar do acidente havia sido bloqueado, mas a decisão de fechar todo o sítio arqueológico ocorreu após forte pressão de sindicatos, que exigiram respeito e apuração dos fatos. O caso gerou comoção nacional e manifestações de pesar da primeira-ministra e do ministro da Cultura.
O Coliseu de Roma, uma das principais atrações turísticas da capital italiana, foi fechado nesta quarta-feira (23) após a morte de um trabalhador no local. Segundo o Ministério da Cultura da Itália, a polícia abriu uma investigação sobre a tragédia.
Segundo nota divulgada pelo ministério, Andrea Moretti, um trabalhador especializado em serviços em altura, morreu no Coliseu "após um acidente de trabalho". Inicialmente, apenas o acesso ao segundo andar do monumento — onde o episódio ocorreu — havia sido fechado ao público nesta quarta‑feira. Algumas horas depois, o governo decidiu interditar todo o sítio arqueológico.
O comunicado não dá maiores detalhes sobre o acidente, ocorrido durante a madrugada. No entanto, indica que a polícia está trabalhando para determinar as circunstâncias da tragédia. O resultado da autópsia do corpo ainda não foi divulgado pelas autoridades.
De acordo com o jornal italiano La Stampa, a vítima tinha 22 anos e trabalhava na instalação de um novo sistema de iluminação do monumento. Ele estava preso a cordas e caiu de uma altura de cerca de 10 metros, indica a reportagem. Os serviços de emergência chegaram a ser acionados, mas não conseguiram reanimar o jovem.
O ministro italiano da Cultura, Alessandro Giuli, lamentou o acidente, classificando-a de "evento trágico que nos deixa consternados e atordoados". "As poucas palavras que conseguimos expressar dedicamos a Andrea, à sua família, aos seus entes queridos: dirigimos a todos o nosso profundo e doloroso pesar diante da morte absurda de um jovem empenhado em seu trabalho".
Segundo o jornal italiano Corriere Della Sera, o ministro passou toda a noite no local. No final desta manhã, Giuli também ordenou a interrupção de todas as obras no Coliseu até nova determinação.
A tragédia também comoveu a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. "Morrer aos 22 anos é inaceitável, e ainda mais quando isso acontece no local de trabalho", publicou na rede social X.
Críticas sobre a decisão do governo
Organizações como a Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), a maior central sindical da Itália, criticaram a ordem do ministro de fechar apenas um andar do monumento, em um primeiro momento, levando Giuli a rever sua decisão. "Diante da trágica morte de Andrea Moretti, um operário de apenas 22 anos que morreu esta noite dentro do Coliseu durante a realização de um trabalho em altura, todo o local deve ser fechado imediatamente em sinal de respeito", diz um comunicado conjunto com outras organizações.
"Não é aceitável que, diante de um fato tão grave, se determine o fechamento de apenas um setor: o sítio arqueológico mais famoso do mundo deve parar imediatamente", reitera a nota. O texto exige ainda "transparência total sobre o ocorrido".
Em nota, a diretoria do Coliseu explicou a reviravolta: "um fechamento imediato dos acessos teria, de fato, provocado uma forte concentração de visitantes do lado de fora do monumento". Segundo o comunicado, isso teria "possíveis repercussões sobre a segurança e a ordem pública".
O Coliseu de Roma, também chamado de Anfiteatro Flávio, foi construído no século I e tem capacidade para 50 mil espectadores. Palco de combates de gladiadores e animais no passado, ele recebe atualmente até 20 mil visitantes por dia na alta temporada.
RFI com agências