Menos de 20% dos eleitores haviam votado até o meio-dia deste domingo pelo horário de Paris (8h em Brasília). Segundo o Ministério do Interior da França, quatro horas após a abertura dos locais de voto, a participação era de 19,37%. A estimativa é apenas um ponto percentual superior à do primeiro turno de 2020, quando houve uma eleição particularmente atípica marcada pela pandemia de Covid-19 e por taxas de abstenção historicamente altas.
Paris figura entre as cidades que menos se mobilizaram para votar na manhã deste primeiro turno, com uma participação de 13,89%. Já a região da Córsega do Sul, ilha francesa no Mar Mediterrâneo, é onde os eleitores mais se motivaram, com uma participação de 30,34% ao meio-dia deste domingo.
Durante a manhã, várias personalidades políticas francesas foram fotografadas nos locais de votação. É o caso do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que votou na cidade de Vernon, onde também concorre ao cargo de prefeito.
A legislação francesa permite o chamado "acúmulo de mandatos", que autoriza um político a exercer simultaneamente determinadas funções locais e nacionais. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, compareceu a uma seção de voto em Le Touquet, no norte do país, no início da tarde.
O pleito, realizado em 34.875 cidades, é considerado um teste, a um ano das próximas eleições presidenciais. Uma grande maioria dos eleitores vota com base em suas preocupações locais, em uma eleição menos polarizada do que a nacional, mesmo que algumas prioridades — o combate ao narcotráfico, o acesso à saúde ou à moradia — sejam as mesmas.
Incertezas nas grandes cidades
Há uma incerteza significativa nas grandes cidades, onde poucos prefeitos têm a reeleição garantida. Nessas áreas urbanas, assim que os resultados forem conhecidos, começará uma nova disputa sobre a questão das alianças para o segundo turno, previsto para 22 de março.
Paris é palco de uma das eleições mais disputadas dos últimos anos. Com a saída da socialista Anne Hidalgo após 12 anos no poder, a corrida à prefeitura vive um clima de forte tensão política e debates intensos sobre o futuro da cidade.
No primeiro turno, a principal briga é entre o esquerdista Emmanuel Grégoire, do Partido Socialista, e a conservadora Rachida Dati, da legenda Os Republicanos. Segundo as últimas pesquisas de intenção de voto, ele lidera a corrida com 32% da preferência. Enquanto Dati, ex-ministra da Cultura, chega logo depois, com 26,5%.
Em Marselha, a segunda maior cidade de França, a disputa ocorre entre o atual prefeito de esquerda, Benoît Payan (35%), do grupo político Divers Gauche, e Franck Allisio (33%), candidato do partido da extrema direita Reunião Nacional.
Já em Lyon, o conservador Jean-Michel Aulas, famoso empresário e dirigente esportivo, reúne 45% das intenções de voto, muito à frente do prefeito esquerdista Grégory Doucet (31,3%), que representa o Divers Gauche.
Os primeiros resultados das eleições municipais francesas serão anunciados pelo Ministério do Interior da França às 20h pelo horário de Paris (16h em Brasília).