Fontainebleau: incêndio florestal nos arredores de Paris já consumiu mais de 2 mil hectares

Os incêndios que atingem desde domingo (12) a floresta de Fontainebleau, antiga floresta real e reserva artística nos arredores de Paris, já devastaram mais de 2 mil hectares, anunciou nesta terça-feira (14) o prefeito do departamento, que estabeleceu como objetivo para os mais de 800 bombeiros mobilizados para debelar os focos até o fim do dia.

14 jul 2026 - 12h01

"O clima evoluiu de forma um pouco mais favorável nas últimas horas", declarou o prefeito de Seine-et-Marne, Pierre Ory, ao falar de um "dia decisivo" após "uma noite complicada para os bombeiros".

Enquanto a segunda-feira foi marcada por fortes rajadas de vento, ele afirmou que os ventos "diminuíram de maneira geral".

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O fogo "não avança mais" e "está contido", mas "agora é preciso debelar os focos", afirmou o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, à emissora BFMTV, à margem do desfile do 14 de Julho.

Os bombeiros enfrentam dois grandes incêndios na floresta. O primeiro começou no domingo, no fim da tarde, próximo à rodovia A6, principal eixo que liga Paris ao sudeste da França e atravessa a floresta, e já consumiu cerca de 1.600 hectares.

O segundo teve início na tarde de segunda-feira no setor da Faisanderie, perto de Fontainebleau, e se espalha por cerca de 450 hectares, depois de ter percorrido "durante a noite uma área bastante importante", precisou o prefeito.

"Medo de voltar aos lugares e não reconhecer mais nada"

No céu, os quatro aviões Canadair e os helicópteros de combate a incêndios, mobilizados desde segunda-feira, retomaram nesta terça-feira as operações interrompidas durante a noite. Escavadeiras também foram utilizadas para ampliar uma pista que avança até a área atingida pelas chamas.

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Nos locais onde o fogo foi contido, o incêndio deixou para trás um cenário de devastação: árvores carbonizadas, solo coberto de fuligem e vegetação dizimada.

Mas, em diversos pontos, pequenos focos voltam a ganhar força, favorecidos pelo vento.

Além dos grandes desníveis do terreno, que dificultam o trabalho dos bombeiros, "a natureza turfosa do solo" facilita o reaparecimento das chamas, explicou o prefeito. "Um incêndio em turfa pode se propagar pelo solo durante vários dias, ou até várias semanas, e ressurgir às vezes a mais de cem metros do foco inicial", alertou.

Ao todo, cerca de mil pessoas foram retiradas da área, segundo as autoridades. "A primeira noite foi muito estressante. O fogo estava chegando às nossas casas e tínhamos medo de que elas queimassem", recordou Nicolas Tournier, morador da comuna de Le Vaudoué, na extremidade sul da floresta, parcialmente esvaziada.

"Tenho medo de voltar aos lugares que conhecíamos e não reconhecer mais nada", lamenta Agnès Turquier, de 62 anos, que veio de Montargis, a cerca de 50 quilômetros do maciço florestal, para ajudar os moradores.

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O incêndio, que atinge o pulmão verde de Paris e uma área de biodiversidade excepcional, é um dos três maiores registrados no norte da França nos últimos 20 anos.

A emblemática floresta de Fontainebleau ocupa cerca de 25 mil hectares, está localizada a 60 quilômetros ao sudeste de Paris e recebe mais de 15 milhões de visitantes por ano.

Chamas na floresta de Fontainebleau, em Noisy-sur-Ecole, perto de Paris, em 13 de julho de 2026.
Chamas na floresta de Fontainebleau, em Noisy-sur-Ecole, perto de Paris, em 13 de julho de 2026.
Foto: RFI

Cheiro de queimado

No departamento de Loiret, no centro da França, muitos moradores relataram cheiro de queimado, claramente perceptível em Orléans, embora a cidade esteja a quase 100 quilômetros da floresta de Fontainebleau, constatou um jornalista da AFP.

Os numerosos relatos levaram o prefeito de Loiret e os bombeiros a divulgar mensagens pedindo à população que "não sobrecarregue" os números de emergência caso apenas sintam cheiro de fumaça.

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Nenhuma região francesa está mais protegida desses incêndios de verão. Focos de vegetação foram controlados na segunda-feira no cabo Fréhel, na Bretanha, e também no departamento de Lozère, no sudeste do país.

Nesta terça-feira, 26 departamentos franceses, da região parisiense ao sudeste da França, permanecem sob o nível máximo de vigilância, segundo a agência meteorológica Météo-France, apesar do enfraquecimento do atual episódio de calor extremo, iniciado durante a madrugada.

"O fim deste episódio não é esperado antes de quinta-feira em escala nacional, ou até mais tarde nas regiões mediterrâneas", destaca o serviço meteorológico Météo-France.

As autoridades informaram nesta terça-feira que seis pessoas suspeitas de envolvimento nos incêndios foram detidas. Uma delas é um bombeiro, que confessou ter provocado um dos focos.

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com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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