"O clima evoluiu de forma um pouco mais favorável nas últimas horas", declarou o prefeito de Seine-et-Marne, Pierre Ory, ao falar de um "dia decisivo" após "uma noite complicada para os bombeiros".
Enquanto a segunda-feira foi marcada por fortes rajadas de vento, ele afirmou que os ventos "diminuíram de maneira geral".
O fogo "não avança mais" e "está contido", mas "agora é preciso debelar os focos", afirmou o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, à emissora BFMTV, à margem do desfile do 14 de Julho.
Os bombeiros enfrentam dois grandes incêndios na floresta. O primeiro começou no domingo, no fim da tarde, próximo à rodovia A6, principal eixo que liga Paris ao sudeste da França e atravessa a floresta, e já consumiu cerca de 1.600 hectares.
O segundo teve início na tarde de segunda-feira no setor da Faisanderie, perto de Fontainebleau, e se espalha por cerca de 450 hectares, depois de ter percorrido "durante a noite uma área bastante importante", precisou o prefeito.
"Medo de voltar aos lugares e não reconhecer mais nada"
No céu, os quatro aviões Canadair e os helicópteros de combate a incêndios, mobilizados desde segunda-feira, retomaram nesta terça-feira as operações interrompidas durante a noite. Escavadeiras também foram utilizadas para ampliar uma pista que avança até a área atingida pelas chamas.
Nos locais onde o fogo foi contido, o incêndio deixou para trás um cenário de devastação: árvores carbonizadas, solo coberto de fuligem e vegetação dizimada.
Mas, em diversos pontos, pequenos focos voltam a ganhar força, favorecidos pelo vento.
Além dos grandes desníveis do terreno, que dificultam o trabalho dos bombeiros, "a natureza turfosa do solo" facilita o reaparecimento das chamas, explicou o prefeito. "Um incêndio em turfa pode se propagar pelo solo durante vários dias, ou até várias semanas, e ressurgir às vezes a mais de cem metros do foco inicial", alertou.
Ao todo, cerca de mil pessoas foram retiradas da área, segundo as autoridades. "A primeira noite foi muito estressante. O fogo estava chegando às nossas casas e tínhamos medo de que elas queimassem", recordou Nicolas Tournier, morador da comuna de Le Vaudoué, na extremidade sul da floresta, parcialmente esvaziada.
"Tenho medo de voltar aos lugares que conhecíamos e não reconhecer mais nada", lamenta Agnès Turquier, de 62 anos, que veio de Montargis, a cerca de 50 quilômetros do maciço florestal, para ajudar os moradores.
O incêndio, que atinge o pulmão verde de Paris e uma área de biodiversidade excepcional, é um dos três maiores registrados no norte da França nos últimos 20 anos.
A emblemática floresta de Fontainebleau ocupa cerca de 25 mil hectares, está localizada a 60 quilômetros ao sudeste de Paris e recebe mais de 15 milhões de visitantes por ano.
Cheiro de queimado
No departamento de Loiret, no centro da França, muitos moradores relataram cheiro de queimado, claramente perceptível em Orléans, embora a cidade esteja a quase 100 quilômetros da floresta de Fontainebleau, constatou um jornalista da AFP.
Os numerosos relatos levaram o prefeito de Loiret e os bombeiros a divulgar mensagens pedindo à população que "não sobrecarregue" os números de emergência caso apenas sintam cheiro de fumaça.
Nenhuma região francesa está mais protegida desses incêndios de verão. Focos de vegetação foram controlados na segunda-feira no cabo Fréhel, na Bretanha, e também no departamento de Lozère, no sudeste do país.
Nesta terça-feira, 26 departamentos franceses, da região parisiense ao sudeste da França, permanecem sob o nível máximo de vigilância, segundo a agência meteorológica Météo-France, apesar do enfraquecimento do atual episódio de calor extremo, iniciado durante a madrugada.
"O fim deste episódio não é esperado antes de quinta-feira em escala nacional, ou até mais tarde nas regiões mediterrâneas", destaca o serviço meteorológico Météo-France.
As autoridades informaram nesta terça-feira que seis pessoas suspeitas de envolvimento nos incêndios foram detidas. Uma delas é um bombeiro, que confessou ter provocado um dos focos.
com AFP