Os dados resultam de uma análise da agência AFP baseada em previsões do Serviço Meteorológico Alemão e em projeções populacionais para 2025 do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia.
O pico dessa onda de calor histórica é esperado para esta quinta-feira na França, antes de uma leve trégua prevista para a noite na costa atlântica. Em Paris, os termômetros ultrapassaram os 40°C pela quarta vez em 150 anos de registros.
O primeiro-ministro francês anunciou a mobilização máxima do sistema de saúde para garantir atendimento diante de uma onda de calor excepcional, que "não dá sinais de enfraquecimento", e de uma crise sanitária que "continua a se intensificar". No país, três reatores nucleares foram desligados em razão das temperaturas extremas.
Na Alemanha, algumas regiões podem registrar temperaturas acima de 40°C, com possibilidade de quebra de recordes históricos. Diversos eventos esportivos e culturais ao ar livre já foram cancelados, entre eles a Meia Maratona de Hamburgo, no norte do país.
A companhia ferroviária Deutsche Bahn recomendou que os passageiros evitem viagens e informou que reembolsará passagens adquiridas até 30 de junho devido ao elevado risco de interrupções causadas por calor extremo, incêndios, chuvas intensas e tempestades.
Na Espanha, as autoridades registraram pelo menos 212 mortes entre domingo e quarta-feira possivelmente relacionadas à onda de calor. No Reino Unido, o Met Office, serviço nacional de meteorologia, prorrogou o raro alerta vermelho para calor extremo por mais um dia em Londres e em partes do sudeste da Inglaterra.
"As temperaturas máximas à sombra podem superar os 36°C, chegando possivelmente a 38°C em algumas áreas", informou a agência em comunicado. O aviso ocorre um dia após o registro do recorde de temperatura para o mês de junho no país: 36,1°C na costa sul da Inglaterra.
Na Croácia, toda a faixa litorânea ao redor de Split está sob alerta vermelho, com máximas acima de 35°C e mínimas de 26°C, de acordo com o serviço meteorológico nacional. Já a Dinamarca estará sob alerta laranja, o segundo nível mais alto, na sexta-feira. Segundo o Instituto Meteorológico Dinamarquês (DMI), as temperaturas podem atingir 35°C até o fim da semana, principalmente nas regiões sul e leste do país.
Na Áustria, o nível máximo de alerta para onda de calor foi decretado até segunda-feira em Viena, no leste do país e em diversas cidades do sul. As autoridades recomendam que a população permaneça em ambientes fechados durante os períodos mais quentes do dia.
Pausas para trabalhadores
A situação é consequência de uma extensa massa de ar quente proveniente da África, retida sobre a Europa Ocidental por sistemas de alta pressão em altitude. Para os climatologistas, a frequência crescente das ondas de calor é um dos sinais mais evidentes das mudanças climáticas, provocadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Fenômenos extremos como os observados atualmente no continente tendem a se tornar mais frequentes, duradouros e intensos.
Com impactos cada vez maiores sobre a economia, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) pediu nesta quinta-feira à União Europeia a adoção de "pausas para resfriamento" obrigatórias para trabalhadores expostos ao calor extremo. A proposta segue modelo semelhante ao utilizado na Copa do Mundo de 2026, em que as equipes têm direito a interrupções durante as partidas para hidratação e recuperação.
A CES, que representa cerca de 45 milhões de trabalhadores, solicitou à Comissão Europeia que assegure aos profissionais o "direito a pausas sem perda salarial" durante episódios de calor extremo. Segundo a entidade, o risco de acidentes de trabalho aumenta em até 7% quando a temperatura ultrapassa 30°C e pode chegar a 15% quando os termômetros atingem 38°C.
Com AFP