Vestidos de preto, o rei Felipe VI e a rainha Letizia chegaram à localidade de Adamuz pouco antes de meio-dia (9h no horário de Brasília). Eles foram diretamente à região onde os destroços dos dois trens ainda se encontram e onde as buscas por mais corpos continuam.
Em um novo balanço divulgado no início da madrugada, o governo regional da Andaluzia informou que foi encontrado mais um corpo entre as ferragens.
"O número de mortos subiu para 41, após o corpo de uma pessoa ter sido encontrado na noite passada em um dos vagões" do trem da empresa Iryo, informou ogoverno local.
Além disso, "39 pessoas seguem internadas em vários hospitais da Andaluzia, sendo 35 adultos e quatro crianças. Treze pacientes, todos adultos, permanecem na UTI", acrescentaram as autoridades. As buscas por pessoas desaparecidas prosseguem.
"O que precisa ser feito é cruzar os dados das pessoas desaparecidas ou denúncias de desaparecimento com os de mortos, e ontem, pelo menos no final do dia, os números eram mais ou menos os mesmos", explicou o ministro espanhol de Transportes, Óscar Puente, à rádio Onda Cero.
O governador da região da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, estimou na noite de segunda-feira (19) que as autoridades precisariam de "24 a 48 horas" para determinar "com certeza" o número de vítimas fatais do acidente.
Trens levavam cerca de 500 passageiros
A colisão aconteceu no domingo (18), por volta das 19h45 (15h45 de Brasília), envolvendo dois trens de alta velocidade que trafegavam em trilhos paralelos, com aproximadamente 500 passageiros a bordo no total.
Os últimos vagões de um trem operado pela empresa privada Iryo, subsidiária em 51% do grupo estatal italiano Ferrovie dello Stato (Trenitalia), descarrilaram enquanto viajavam de Málaga para Madri.
Os vagões acabaram nos trilhos adjacentes justamente quando um trem da empresa estatal espanhola Renfe, que viajava na direção oposta, de Madri para Huelva, no sudoeste, estava prestes a passar e colidiu com eles.
Os quatro vagões do trem da Renfe, completamente descarrilados, tombaram. Dois deles parecem ter sido esmagados pelo impacto, de acordo com imagens aéreas divulgadas pela Guarda Civil espanhola. Algumas centenas de metros adiante, era possível ver o trem vermelho da Iryo, com a maioria dos vagões ainda sobre os trilhos e os dois últimos tombados de lado.
Santiago Salvador, cidadão português ferido na colisão, descreveu o acidente como um "inferno" em entrevista à emissora RPT de Portugal. "Havia pessoas gravemente feridas; o meu ferimento foi leve, então saí andando sozinho", explicou, com o rosto coberto de arranhões. "É um milagre eu estar vivo", concluiu.
Erro humano 'descartado'
Após descartar inicialmente erro humano e o excesso de velocidade dos dois trens, que colidiram em um trecho reto da linha férrea, as explicações agora se concentram nos trilhos e nos próprios veículos.
"O erro humano está praticamente descartado", declarou o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, na segunda-feira, à rádio pública espanhola RNE.
Em particular, uma foto tirada pela Guarda Civil, que mostra agentes inspecionando um trilho com um pedaço faltando, alimentou grande parte das especulações.
Entretanto, o ministro Puente afirmou ser muito cedo para saber se isso foi "causa ou consequência" do acidente. Ele insistiu em classificar o acidente, ocorrido em um trecho recém-reformado da linha férrea, como "estranho".
"Há muitas rupturas nos trilhos quando um trem descarrila (...) e há uma ruptura inicial (...) A questão é determinar — e neste momento nenhum técnico consegue confirmar ou sequer afirmar isso — se a ruptura foi causa ou consequência, e isso não é pouca coisa", enfatizou Puente à Onda Cero.
Com AFP