Em visita a Kiev, o chanceler alemão Friedrich Merz reafirmou o apoio contínuo à Ucrânia, alertando que a máquina de guerra russa poderá se voltar contra a Europa se não for contida. A viagem ocorreu sob ameaças de novos bombardeios russos contra a capital ucraniana e em meio à crescente tensão regional, evidenciada por repetidas violações do espaço aéreo da Moldávia por drones de Moscou, além de denúncias de ações de sabotagem e ataques híbridos atribuídos à Rússia em outros países europeus.
"Estou em Kiev hoje porque a Ucrânia precisa de todo o nosso apoio nas próximas semanas", declarou Merz em um comunicado divulgado após sua chegada. "Se a Rússia não for detida, sua máquina de guerra se voltará contra nós, mais cedo ou mais tarde."
Merz, cujo país é um dos principais apoiadores da Ucrânia na guerra contra a Rússia, está acompanhado da ministra da Economia, Katherina Reiche, segundo fontes do governo em Berlim.
"Hoje, direi ao presidente (Volodymyr) Zelensky: 'Vocês podem continuar contando com a nossa ajuda'", afirmou o chanceler no comunicado, que também destaca a cooperação entre empresas alemãs e ucranianas.
A visita ocorre apenas um dia depois de a Rússia ter pedido a diplomatas e estrangeiros que deixassem Kiev, alertando que suas forças continuariam a realizar "ataques de retaliação em massa" contra a capital ucraniana.
Moscou já havia feito um alerta semelhante em maio, mas líderes de países aliados da Ucrânia continuaram a visitar a cidade.
A capital ucraniana tem sido alvo frequente, nas últimas semanas, de ondas quase diárias de drones, especialmente os aparelhos a jato, mais difíceis de interceptar, em um momento em que o país enfrenta escassez de sistemas de defesa antiaérea.
Uma importante ponte foi atingida na manhã de sábado (3), após uma sexta-feira marcada por grandes congestionamentos em várias regiões da cidade. Os transtornos foram causados por ataques de drones russos a outra estrutura que permite a travessia do rio Dnieper.
Incursões russas
A visita de Merz também acontece em meio ao aumento de incidentes envolvendo drones russos em países europeus.
A Moldávia convocou o embaixador da Rússia no sábado, após uma nova incursão de mísseis e drones vindos da vizinha Ucrânia.
No fim de setembro, Chisinau já havia denunciado um aumento desses incidentes, o que a obrigou a fechar repetidamente seu espaço aéreo. Na ocorrência mais recente, cinco drones e mísseis explodiram perto de localidades moldavas, causando danos materiais, mas sem deixar vítimas, segundo as autoridades.
Pela segunda vez em poucos dias, o embaixador russo foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores, que instou Moscou a evitar novos incidentes, de acordo com um comunicado oficial.
A presidente pró-União Europeia da Moldávia, Maia Sandu, afirmou que os episódios demonstram que a guerra da Rússia na Ucrânia está "atingindo a Moldávia". "Moscou coloca vidas em perigo em toda a Europa e precisa ser parada", escreveu ela na rede social X.
No fim de setembro, a Moldávia informou ter registrado 81 violações envolvendo mísseis e drones de fabricação russa e iraniana desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022. Desse total, 44 ocorreram apenas neste ano.
Outros países europeus também relataram aumento de incidentes envolvendo drones, entre eles a Romênia, que faz fronteira com a Moldávia. No início de setembro, o avião que transportava o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, quase foi atingido por um drone durante a decolagem em território moldavo.
A Alemanha também tem sido alvo de ações atribuídas à Rússia. O país registrou tentativas de sabotagem contra sua rede elétrica, e Berlim acusou Moscou de estar por trás de um ataque híbrido com um drone carregado de explosivos no aeroporto de Leipzig, em agosto.
Com AFP