O jornal econômico Les Echos destaca que as forças políticas testaram, nas eleições municipais, praticamente todas as combinações possíveis para avaliar o comportamento do eleitorado. Em várias cidades, partidos de esquerda, direita e até os extremos experimentaram diferentes estratégias.
As listas do Partido Socialista (PS), por exemplo, se uniram à França Insubmissa (LFI), de esquerda radical, mas acabaram favorecendo vitórias da direita em redutos tradicionalmente progressistas, como nas cidades de Brest, no oeste, Clermont-Ferrand, no centro, e Avignon, no sudeste.
Em Toulouse, no sul, e Limoges, no centro, a esquerda chegou a se alinhar à LFI na tentativa de derrotar os conservadores. Já em Marselha, o candidato do LFI retirou sua candidatura para permitir que o PS barrasse o Reunião Nacional (RN), de extrema direita. Para Les Echos, porém, a lição geral é que os partidos devem seguir caminhos próprios na disputa presidencial.
O Le Figaro afirma que as siglas que mantiveram coerência interna e apresentaram candidaturas alinhadas a seus polos políticos tiveram melhor desempenho. Já o Libération ressalta que a esquerda preserva o controle das três maiores cidades do país - Paris, Marselha e Lyon - ao mesmo tempo em que o líder da extrema direita, Jordan Bardella, celebra "o maior avanço da história do Reunião Nacional", com dezenas de conquistas em cidades de porte médio.
Alianças arriscadas
O Le Parisien enfatiza que algumas alianças firmadas às pressas no segundo turno trouxeram prejuízos eleitorais. Segundo o jornal, ver dirigentes do Partido Socialista admitirem ainda na noite de domingo, após o segundo turno, que a aproximação com a esquerda radical, LFI, havia sido um erro estratégico, "foi revelador."
Para o diário, essa é a principal lição das municipais: candidatos que recusaram alianças com partidos extremos, como Emmanuel Grégoire em Paris ou Benoît Payan em Marselha, foram os que saíram vencedores. O jornal acrescenta que resultados surpreendentes - incluindo a perda de prefeituras historicamente de esquerda há mais de um século - evidenciam fraturas profundas dentro da própria sociedade francesa.