A participação final do eleitorado deve ficar em torno de 57% neste segundo turno das eleições municipais, praticamente a mesma registrada no primeiro turno, segundo levantamentos de quatro institutos de pesquisa divulgados neste domingo.
Apesar da estabilidade entre os dois turnos, o índice é considerado baixo. Ele fica aquém, por exemplo, da taxa observada em 2014, quando a participação no segundo turno alcançou 62,1%, desconsiderando 2020, quando a taxa foi fortemente afetada pela pandemia de Covid-19.
Mais de 17 milhões de eleitores estavam aptos a votar neste segundo turno em cerca de 1.580 municípios franceses, de um total de aproximadamente 35 mil. As demais cidades definiram seus prefeitos já no primeiro turno, no último domingo (15).
Socialista venceu com folga
Natural de Lilas, na região metropolitana de Paris, Emmanuel Grégoire, de 48 anos, vem de uma família tradicionalmente comunista. Formado na Universidade de Ciências Políticas de Bordeaux, ele vai substituir Anne Hidalgo, que estava no cargo desde 2013 e também é de esquerda. Atrás do socialista, a ex-ministra da Cultura Rachida Dati, de direita, obteve 40,8% dos votos. Já a candidata da esquerda radical, Sophia Chikirou, que também disputou o segundo turno, recolheu 8,2% dos votos.
No seu discurso de vitória, Grégoire pregou a união da população após um pleito acirrado e ainda marcado por uma alta taxa de abstenção.
"Graças a essa grande mobilização, a coalizão da direita não irá dirigir Paris (...) Esta noite não é uma vitória de uma Paris contra outra. Amanhã, nosso compromisso será o de unir a cidade (...) A todos e todas, sem discriminação, é juntos que formamos Paris", afirmou Grégoire.
🔴 🗣 "Ce soir, les Parisiennes et les Parisiens ont adressé un message à Jordan Bardella, Marine Le Pen et Sarah Knafo. Paris n'est pas et ne sera jamais une ville d'extrême droite", affirme Emmanuel Grégoire (PS), élu à la tête de la capitale. pic.twitter.com/s2KO7ytzin
— franceinfo (@franceinfo) March 22, 2026
Seu programa eleitoral, "Aimer Paris" (Amar Paris), prevê ampliar a oferta de moradias populares, expandir a rede e os planos destinados a ciclistas e pedestres, oferecer merenda escolar gratuita para todos os alunos menores de 18 anos e aumentar as áreas verdes da capital. Essas medidas, em parte, dão continuidade a políticas já implementadas pela atual prefeita.
Hidalgo deixa como legado um amplo conjunto de mudanças ambientais e estruturais em Paris, que incluem 500 km de ciclovias e uma redução de 44% da poluição atmosférica relacionada ao tráfego.
Embora essas iniciativas tenham recebido elogios em setores que defendem a transição ecológica, as restrições ao uso de carros no centro da capital e a redução dos limites de velocidade alimentaram críticas da direita e de parte dos parisienses, que se dizem penalizados pelas mudanças.
Marselha e Lyon
O atual prefeito de esquerda de Marselha, Benoît Payan, se manteve no cargo após obter uma ampla vitória neste segundo turno contra o candidato de extrema direita Franck Allisio (RN).
O cenário é semelhante ao de Lyon, onde o atual prefeito ecologista, Grégory Doucet, foi reeleito com ampla vantagem sobre Jean-Michel Aulas, candidato de direita.
RFI com agências