Diversas cidades podem passar para as mãos de um prefeito do partido Reunião Nacional (RN), mas os aliados do governo do presidente Emmanuel Macron também têm chances de construir uma forte rede local. Ao mesmo tempo, alguns redutos da direita e da esquerda podem mudar de lado.
Excluída dos acordos nacionais de parte da esquerda no primeiro turno, o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI) se posiciona agora como uma força decisiva, apoiando listas socialistas ou ecologistas dispostas a formar alianças. Apenas 6% dos municípios franceses não concluíram a eleição já no primeiro turno.
Cidades onde a extrema direita tem chances
A maior cidade onde a extrema direita tem chances de vitória é Marselha, no sul da França. Ancorada à esquerda durante a segunda metade do século 20, o município se inclinou à direita em 1995. Os conservadores se mantiveram no poder por 25 anos, até perderem novamente para a esquerda em 2020.
Agora, o atual prefeito e candidato à reeleição, Benoît Payan, corre o risco de perder o cargo para o Reunião Nacional. O candidato socialista ficou em primeiro lugar no primeiro turno, no último domingo (15), com 36,7%, contra 35,02% para o candidato da extrema direita, Franck Allisio.
Fiel à diretriz anunciada pelo secretário-geral dos socialistas, Benoît Payan recusou a oferta de cooperação feita pelo candidato da LFI, Sébastien Delogu (11,94%). O deputado da LFI acabou retirando sua candidatura - após criticar as "apostas imprudentes" de Benoît Payan.
Também no sul, Toulon, outra importante cidade portuária na costa do Mediterrâneo -onde o Reunião Nacional tradicionalmente obtém votação elevada - poderá eleger um prefeito de extrema-direita. A deputada do Reunião Nacional Laure Lavalette venceu o primeiro turno com 42,05% dos votos, bem à frente da atual prefeita, Josée Massi, de direita, com 29,54%.
Diversos outros municípios da região têm candidatos de extrema direita no segundo turno, como em Nice e Nimes.
Aliados de Macron
Para o partido do presidente Macron, o fantasma do desempenho ruim nas eleições de 2020 ainda paira. Agora, após o primeiro turno, sua sigla, Renascimento, venceu em 130 cidades, mas a maior parte delas é pequena ou média.
Nas maiores cidades, o partido se aliou a outros partidos de direita ou de centro. Poucos municípios têm candidatos do governo concorrendo no segundo turno, como Annecy, no leste francês. Em Bordeaux, a situação é incerta para Thomas Cazenave, ex-chefe de gabinete adjunto de Emmanuel Macron.
Resultado incerto em Paris
Grandes cidades podem ter mudanças políticas marcantes, a começar pela capital. Governada há 26 anos pela esquerda, Paris pode voltar à direita neste domingo. As últimas pesquisas apontam uma disputa acirrada entre o sucessor da prefeita socialista Anne Hidalgo, Emmanuel Grégoire, e a candidata da direita, Rachida Dati, ministra da Cultura de Macron e subprefeita do 7º distrito.
Hidalgo encerra seu terceiro mandato e não quis concorrer a mais um - na França, não há limite para a reeleição dos prefeitos. O braço direito de Hidalgo, Emmanuel Grégoire, ficou em primeiro lugar no domingo com 37,98%, mas o segundo turno se anuncia mais difícil.
O candidato do partido Horizonte, Pierre-Yves Bournazel (11,34%), aliado de Macron, optou por se juntar a Rachida Dati, que também poderá contar com votos de eleitores da extrema direita.
Além disso, a esquerda chega às urnas dividida: a candidata da França Insubmissa, Sophia Chikirou, não abandonou a disputa, fragmentando os votos progressistas.
Divisão ou aliança da esquerda?
Apesar da recomendação do líder do Partido Socialista para que a sigla não aceitasse alianças com a LFI, muitos candidatos socialistas optaram por desconsiderar essa orientação. Em uma dúzia de cidades, grupos locais se formaram com o partido dirigido por Jean‑Luc Mélenchon.
Foi o que ocorreu em Brest e em Clermont-Ferrand: diante da possibilidade de vitória da direita ou da extrema direita, a união com a França Insubmissa se concretizou para o segundo turno.