Edison Veiga, de Bled para a RFI Brasil
Um dos principais fatores que agitaram a campanha nos últimos dias foi a denúncia de possível interferência estrangeira. O governo esloveno afirmou que uma empresa privada israelense de espionagem teria visitado a capital, Ljubljana, diversas vezes nos últimos meses para produzir material com alegações de corrupção envolvendo integrantes da atual administração.
O primeiro‑ministro Robert Golob, líder da coalizão de centro‑esquerda, reagiu publicamente, afirmando que não permitirá ingerência externa no processo democrático do país. Em meio à crise, ele suspendeu temporariamente sua agenda de campanha e viajou a Bruxelas em busca de apoio da União Europeia.
O clima eleitoral é descrito como tenso. Há aumento da presença policial, inclusive em cidades pequenas, indicando preocupação com possíveis distúrbios.
As pesquisas apontam empate técnico entre o partido governista, o Gibanje Svoboda (Movimento Liberdade), e a principal força de oposição, o SDS (Partido Democrático Esloveno), liderado pelo ex‑primeiro‑ministro Janez Janša. Levantamento recente indica 27,8% das intenções de voto para o grupo de Golob e 27,7% para a oposição.
Além da disputa acirrada, a campanha tem sido marcada por agressividade incomum. Cartazes com mensagens anti-imigração e ataques políticos diretos têm sido registrados, assim como episódios de vandalismo contra materiais de campanha de ambos os lados. Em alguns casos, ações mais extremas chamaram atenção nas redes sociais, como a utilização de animais mortos em intervenções contra outdoors políticos.
Participação eleitoral
A participação eleitoral é outro ponto de atenção. Diferentemente do Brasil, o voto na Eslovênia é facultativo, o que torna o comparecimento às urnas um fator decisivo e imprevisível. Organizações da sociedade civil, como a Glas Ljudstva, têm promovido campanhas de conscientização para estimular a participação popular, destacando especialmente o impacto das eleições em áreas como a saúde pública.
No campo ideológico, a disputa reflete tendências mais amplas observadas na Europa. O partido de Janez Janša é associado ao avanço de movimentos conservadores no continente e mantém proximidade com lideranças como o premiê húngaro Viktor Orbán.
Sua retórica enfatiza valores tradicionais e críticas ao financiamento público de organizações civis. Já o governo de Robert Golob se posiciona dentro de um campo liberal democrático.
Apesar das diferenças internas, analistas apontam que, em temas internacionais, as posições dos dois principais líderes não divergem de forma significativa. Ambos criticam ações recentes dos Estados Unidos no cenário global, manifestam reservas quanto ao conflito entre Rússia e Ucrânia e se posicionam contra a guerra na Faixa de Gaza.
Com um eleitorado dividido e incertezas quanto à participação, o resultado da eleição permanece em aberto, reforçando o caráter imprevisível de um pleito que pode redefinir o rumo político da Eslovênia.