Dificuldade de recrutar soldados revela desgaste russo e reconfigura guerra na Ucrânia

As principais revistas francesas que chegaram às bancas nesta semana abordam a guerra na Ucrânia, em um momento em que o avanço terrestre russo está bloqueado pela falta de efetivo. Para as publicações, a nova fase do conflito, marcada por bombardeios e ataques de longo alcance, é um sinal de que a paz continua distante.

22 ago 2026 - 07h58
Resumo
Enfrentando pesadas baixas, a Rússia recorre a recrutamentos forçados para manter suas tropas. Ao mesmo tempo, a Ucrânia intensifica ataques eficazes com drones contra refinarias, redes logísticas e frotas russas no mar de Azov. Focadas no estratégico Estreito de Kerch, as ofensivas ucranianas reduzem a capacidade operacional e econômica de Moscou, buscando sufocar o domínio russo sobre a península da Crimeia.

A Nouvel Obs publica uma reportagem sobre a crescente dificuldade de recrutamento na Rússia. Oficialmente, o ingresso nas Forças Armadas do país é voluntário e regido por contrato, afirma a revista. Mas, diante das perdas no campo de batalha, as autoridades têm recorrido a métodos cada vez mais coercitivos. Relatos nas redes sociais que conseguem driblar a rígida censura russa descrevem jovens capturados nas ruas, detidos e ameaçados de responder por tráfico de drogas caso se recusem a assinar o alistamento.

O presidente russo, Vladimir Putin, corre contra o relógio ao mesmo tempo que Kiev intensifica sua campanha de bombardeios com drones em território russo. Esse é, aliás, o foco de uma análise publicada pela revista Courrier International, que afirma ser "incontestável" o sucesso técnico das operações ucranianas.

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Os ataques ucranianos atingiram duas refinarias russas no início deste mês, reduzindo a capacidade de processamento do país em um terço. A Ucrânia também passou a mirar em armazéns da gigante do comércio online Wildberries, que fornece equipamentos militares a Moscou, causando prejuízos próximos de € 3 bilhões.

"Paralelamente, os ataques no mar de Azov, que atingiram 236 navios-alvo somente em julho, reduziram a circulação marítima russa em três quartos nesse eixo crucial", observa o semanário.

Kerch: eterno campo de batalha

A revista L'Express traz uma reportagem sobre o Estreito de Kerch, único ponto de passagem entre o mar de Azov e o mar Negro, descrito no título como "o eterno campo de batalha entre Rússia e Ucrânia". "A crise no Estreito de Ormuz mostrou bem como os estreitos têm um papel crucial no comércio mundial", explica o texto, ao recapitular as décadas de disputa pelo Estreito de Kerch entre Moscou e Kiev.

A publicação lembra que, desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, as hostilidades se intensificaram na região, com a Ucrânia multiplicando ataques contra a ponte que liga a península da Crimeia à Rússia - território ucraniano anexado por Moscou em 2014.

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Em julho deste ano, uma vasta campanha ucraniana mirou em navios na região, atingindo uma centena de embarcações e afetando o tráfego marítimo russo. Para a revista, o principal objetivo é asfixiar a península da Crimeia, em uma batalha territorial, econômica e simbólica.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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