Delegação de congressistas dos EUA vai à Dinamarca apoiar o país contra ameaças de Trump

Uma delegação bipartidária de congressistas dos Estados Unidos está em Copenhague nesta sexta-feira (16) para se reunir com os líderes da Dinamarca e da Groenlândia e dar-lhes apoio, face às ameaças de Donald Trump de anexar a ilha ártica. Embora composta majoritariamente por parlamentares democratas, a delegação também inclui os senadores republicanos Thom Tillis e Lisa Murkowski.

16 jan 2026 - 10h37

A delegação conta com 11 membros e é liderada pelo senador democrata Chris Coons. O grupo tem encontros agendados com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e seu homólogo groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, segundo informações de Copenhague.

"Neste momento de crescente instabilidade internacional, devemos estender a mão aos nossos aliados, e não afastá-los", disse Chris Coons, em um comunicado divulgado no início desta semana. O texto salienta que a delegação enviará "uma mensagem clara sobre o compromisso do Congresso em apoiar a Otan".

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Donald Trump afirma que a Groenlândia é vital para a segurança dos Estados Unidos, devido à sua localização estratégica e às suas significativas reservas minerais. O líder republicano não descartou o uso da força para tomar o controle deste território autônomo do Reino da Dinamarca.

Enviado de Trump anuncia viagem e acredita em 'acordo'

O enviado especial do presidente para o território afirmou nesta sexta-feira que planeja visitar o território dinamarquês em março, e disse acreditar que "um acordo" pode ser alcançado.

"Acredito sinceramente que um acordo deve ser alcançado e será alcançado assim que tudo isso terminar", disse Jeff Landry à Fox News. "O presidente está falando sério. Acho que ele preparou o terreno. Ele disse à Dinamarca o que busca, e agora cabe ao secretário de Estado Marco Rubio e ao vice-presidente JD Vance concretizarem o acordo."

Soldados europeus chegaram à Groenlândia nos últimos dias, para participar de exercícios organizados pela Dinamarca e seus aliados, com o objetivo de tranquilizar Donald Trump sobre a segurança dos EUA. A operação "Greenland Arctic Endurance" (Resistência Ártica na Groenlândia) inclui vários países europeus, como Alemanha, Noruega, Suécia e França.

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A visita dos congressistas americanos a Copenhague ocorre após uma reunião de alto nível realizada na Casa Branca na quarta-feira (14), durante a qual o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, e sua homóloga groenlandesa, Vivian Motzfeldt, se encontraram com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o vice-presidente americano, JD Vance. Após o encontro, os representantes dinamarqueses declararam que não conseguiram influenciar a posição do governo americano.

Pouco apoio popular a projeto de Trump

Lars Løkke Rasmussen e Vivian Motzfeldt também se reuniram com parlamentares americanos em Washington esta semana, para buscar o apoio do Congresso. Dinamarca e Groenlândia tentam resolver uma crise diplomática sem precedentes com um aliado da Otan.

"Estamos prontos para cooperar em segurança no Ártico, mas isso deve ser feito com respeito à nossa integridade territorial, ao direito internacional e à Carta da ONU", disse Lars Løkke Rasmussen, em uma mensagem publicada no Instagram na noite de quinta-feira.

Donald Trump lançou a ideia de anexar a Groenlândia já em 2019, durante seu primeiro mandato, mas há uma crescente oposição a esse cenário em Washington, inclusive dentro de seu próprio partido. Membros do Congresso, tanto do Partido Republicano quanto do Partido Democrata, declararam que apoiarão uma legislação que vise limitar a capacidade de Donald Trump de tomar posse da Groenlândia. Um projeto de lei na Câmara dos Representantes defendendo a anexação da Groenlândia também foi apresentado.

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De acordo com uma pesquisa Reuters/Ipso, apenas 17% dos americanos aprovam o plano de Donald Trump de anexar a Groenlândia, e uma grande maioria de democratas e republicanos se opõe ao uso da força militar para anexar a ilha.

Com informações da Reuters 

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