Bulgária vai às urnas em oitava eleição em cinco anos em meio à crise política

Os cidadãos da Bulgária votam neste domingo (19) em eleições legislativas. Este é o oitavo pleito realizado pelo país em cinco anos. O país mais pobre da União Europeia (UE) enfrenta uma crise política desde 2021, quando protestos anticorrupção generalizados levaram à queda do então primeiro-ministro conservador Boyko Borissov, que estava no poder havia quase dez anos.

19 abr 2026 - 03h11

As urnas abriram às 7h (horário local) para as eleições parlamentares e devem fechar às 20h. As primeiras pesquisas de boca de urna são esperadas logo após o encerramento da votação.

Uma mulher passa por um cartaz eleitoral do partido de centro-direita GERB em Sófia, Bulgária, em 14 de abril de 2026.
Uma mulher passa por um cartaz eleitoral do partido de centro-direita GERB em Sófia, Bulgária, em 14 de abril de 2026.
Foto: REUTERS - Spasiyana Sergieva / RFI

Desde a saída de Borissov, coalizões frágeis se formaram e se desfizeram. O ex-presidente Roumen Radev, de 62 anos, prometeu desmantelar "o modelo oligárquico de governança", apoiando abertamente os manifestantes até o fim de seu mandato, em 2026.

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À frente do país entre 2017 e 2026, o político, de perfil austero, renunciou ao cargo em janeiro para concorrer às eleições parlamentares.

Radev defende a retomada do diálogo com a Rússia, o que gerou acusações de proximidade com Vladimir Putin. Crítico da política energética da UE, o ex-general da Força Aérea afirmou compartilhar a posição da Hungria e da Eslováquia sobre o envio de armas à Ucrânia, alegando que "não vê benefício para seu país pobre em pagar por isso".

Sem "impor um veto" a Bruxelas, ele fez questão de ressaltar, na sexta-feira (19), em entrevista ao canal bTV, as vantagens que o país, com 6,5 milhões de habitantes, obteve com a adesão ao bloco desde 2007.

Nesta eleição, seu partido de centro-esquerda, Bulgária Progressista, aparece com cerca de 35% das intenções de voto, bem à frente do GERB, de Boyko Borissov (20%), enquanto os liberais pró-europeus do PP-DB ocupam a terceira posição.

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Expectativa de mudança

Boryana Dimitrova, do instituto de pesquisas Alpha Research, afirma que a diferença cresceu à medida que o pleito se aproximou e projeta "uma participação eleitoral superior à de 2024", impulsionada pela expectativa de mudança associada a Radev.

Na noite de quinta-feira, durante um comício com mais de 10 mil pessoas em Sófia, Rumen Radev fez um apelo à "unidade" e apresentou seu partido como "uma alternativa a este cartel perverso de partidos antigos".

Ele afirmou que não pretende formar maioria com o partido que representa as minorias turca e cigana, liderado pelo influente Delyan Peevski — que está sob sanções dos Estados Unidos e do Reino Unido por corrupção — e disse buscar uma maioria absoluta no Parlamento, que tem 240 cadeiras.

Nas últimas semanas, a polícia intensificou operações e apreendeu mais de 1 milhão de euros que, segundo as autoridades, seriam usados para influenciar eleitores a apoiar partidos específicos. Centenas de pessoas foram presas, incluindo vereadores e prefeitos.

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Diversos partidos convocaram os búlgaros a comparecerem em massa às urnas para reduzir o impacto desses votos comprados.

Com AFP

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