Brasileiros enfrentam filas em Paris para votar no 1° turno das eleições presidenciais

Os brasileiros que vivem na França compareceram em peso às urnas para votar para presidente da República neste domingo (4). Em Paris, onde está concentrado o maior colégio eleitoral brasileiro do país, longas filas se formaram desde cedo e o tempo de espera chegou a cerca de 1h20. Neste ano, o número de eleitores aptos a votar na capital francesa é cerca de 32% maior do que no pleito de 2022.

4 out 2026 - 08h15
Resumo
Cerca de 27,8 mil brasileiros aptos a votar para presidente enfrentaram longas filas em Paris durante o primeiro turno eleitoral. O pleito ocorreu no Espaço Vinci com 34 urnas e 200 voluntários. Apesar da espera que dobrou quarteirões, a votação transcorreu com rapidez e organização. Duas urnas foram substituídas após falhas técnicas. Pela primeira vez, o sul da França também contou com um polo de votação no Consulado-Geral em Marselha, atendendo a mais de 2,6 mil eleitores cadastrados na região.

Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris.

A votação em Paris acontece no Espaço Vinci, na Rue des Jeûneurs, nº 25, no segundo distrito da capital francesa, onde foram instaladas 34 urnas eletrônicas e cerca de 200 voluntários trabalham para garantir que os brasileiros possam escolher seus representantes. Diferentemente do Brasil, o voto no exterior é apenas para presidente da República.

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As filas começaram a se formar antes mesmo das 8h da manhã no horário local (3h em Brasília), quando as urnas abriram, e já se estendiam por cerca de seis quarteirões.

Ao todo, 27.800 eleitores estão aptos a votar em Paris. Entre eles, Carine Weber, coordenadora de riscos. "Eu cheguei antes da abertura, a fila estava dando várias voltas, fazendo zigue-zague, mas está andando rápido, parece que está sendo bem eficiente lá dentro", disse em entrevista à RFI. "É uma forma de eu mostrar minha voz para tentar uma democracia melhor para o país. É por isso que estou aqui", acrescentou.

Clínger de Almeida é natural de Salvador. "Pegamos uma fila quilométrica. Mas, felizmente, a gente está com os amigos e sabe como é o jeito brasileiro, tudo é festa", disse. "O voto é muito importante para o progresso do meu país e há mais de 20 anos eu moro em Paris e venho votar pelo Brasil", completou.

"Eu não faço questão de votar, mas como somos obrigados, eu estou aqui", diz Luíza Angélica Portella, babá.

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Eleitores brasileiros em Paris fazem fila para votar para presidente da República. Em 4 de outubro de 2026.
Eleitores brasileiros em Paris fazem fila para votar para presidente da República. Em 4 de outubro de 2026.
Foto: RFI

Comparecimento às urnas

A expectativa, com base no comparecimento registrado em eleições anteriores, é de que cerca de metade dos eleitores inscritos compareça às urnas.

Ramon Theobald é maestro e fez questão de participar. "É nossa obrigação tentar salvar o Brasil. Eu não estaria na França se não fosse um governo que se preocupa com a educação e que valoriza a universidade pública", afirmou o maestro, que trabalhou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e estudou em uma universidade federal antes de se mudar para a Europa.

"Com certeza tem que se posicionar, estamos contra uma potencial ditadura no Brasil", disse a eleitora Mariana Lourenço.

"Estou aqui com a esperança de que o Brasil seja um país prósperto e que nós possamos mudar aquele país, que precisa ser mudado. Chega, não aguento mais", disse Karlysson Ataíde Cerqueira, empreiteiro. 

Como previsto em lei, os partidos enviaram seus delegados eleitorais para acompanhar o pleito. É o caso de Fábio Gonçalves, que representa a coligação que inclui o PT. "Está tudo certo. Eu verifiquei se realmente os mesários verificam a identidade das pessoas, se os eleitores estão realmente inscritos na lista. É um trabalho mais de observação, de acompanhamento", explica. "Esta manhã houve um caso de um eleitor que tinha apenas um documento de identidade francês. O juiz aceitou a validade do documento, quando acompanhado de foto e do registro eleitoral", citou como exemplo de situação excepcional.

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O cônsul-geral do Brasil em Paris, Fábio Mendes Marzano, falou sobre a votação na capital francesa.

"Está sendo, até agora, um espetáculo fantástico de democracia, como todos esperavam", disse à RFI.

"As filas estão fluindo bem, está tudo bem organizado e as seções estão funcionando normalmente. Acho que as pessoas estão contentes. Estão todos votando como devem", completou.

O cônsul-geral do Brasil em Paris, Fábio Mendes Marzano. Em Paris, em 4 de outubro de 2026.
Foto: RFI

Duas urnas eletrônicas que apresentaram problemas foram substituídas, já que o TSE enviou para Paris um número maior de máquinas justamente com essa finalidade. "As seções ficam abertas até as cinco da tarde, mas, se precisar, esperaremos até a última pessoa que estiver na fila", afirmou Marzano.

Votação no sul da França

Pela primeira vez, em 2026, há votação também no Consulado-Geral do Brasil em Marselha, o que evitou que muitos eleitores da região tivessem que se deslocar até Paris. A novidade atende a uma demanda antiga da comunidade brasileira instalada no sul da França. 

De acordo com a cônsul-geral do Brasil em Marselha, Vera Cíntia Alvarez, 2.669 eleitores estão inscritos para votar na nova zona eleitoral. A expectativa é receber entre 1.300 e 1.500 votantes. 

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Éden Martin é professora e veio de longe. Mesmo morando mais perto de Marselha do que de Paris, preferiu vir à capital exercer o seu direito de voto.  "Eu vim de Pau, nos Pirineus Atlânticos. Viajei a noite inteira de ônibus, porque não tinha trem ontem à noite, e vou voltar hoje porque amanhã eu dou aula cedo", contou. "Mesmo que Pau seja mais perto de Marselha, havia menos opções de transporte e a viagem ficaria mais cara", explicou.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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