O exame realizado na quinta-feira (23) no corpo de Siad, encontrado morto aos 69 anos na noite de segunda-feira (20) em sua residência em Colombes, nos arredores da capital francesa, não revelou a causa do óbito. Mas os peritos constataram que ele estava fisicamente "debilitado", e encontraram indícios de um infarto antigo que poderia representar um risco de morte súbita.
O Ministério Público solicitou análises complementares, incluindo exames toxicológicos e testes em amostras de tecidos, para determinar as causas da morte. A investigação está sendo conduzida pela polícia judiciária do departamento de Hauts-de-Seine.
"Aguardamos os resultados definitivos dos exames médicos. Essa investigação é essencial para descobrir a verdade", declarou a advogada de Siad, Menya Arab-Tigrine. Alvo de várias denúncias, incluindo acusações de estupro, Daniel Siad, que se apresentava como "nascido francês e cidadão sueco", era investigado pela Justiça de Paris.
Ele negava as acusações e afirmava querer prestar depoimento aos investigadores para apresentar sua versão dos fatos. A procuradora de Paris, Laure Beccuau, afirmou na quarta-feira (22) que a investigação aberta em 18 de fevereiro de 2026 contra Daniel Siad continuará para identificar todas as pessoas que possam estar envolvidas.
A primeira denúncia contra ele foi apresentada em 10 de fevereiro, em Paris, pela ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson. Hoje, com cerca de 50 anos, ela afirma que desconhecia a identidade de Siad até reconhecê-lo nos documentos relacionados a Epstein tornados públicos.
Ebba acusa o crimimoso sexual de tê-la estuprado quando tinha 20 anos e de tê-la explorado sexualmente ao apresentá-la a Gérald Marie, ex-diretor da prestigiada agência de modelos Elite, que também é acusado de estupro. Marie nega todas as acusações.
Em comunicado, advogados de mulheres que se dizem vítimas de estupro e agressão sexual cometidos por Siad e Gérald Marie criticaram o fato de Siad jamais ter sido interrogado pela polícia ou pela Justiça francesa.
Segundo os advogados William Bourdon, Colomba Grossi e Mathias Darmon, a afirmação da procuradora de que as investigações não teriam reunido elementos suficientes para justificar sua detenção representa uma interpretação "no mínimo surpreendente" dos fatos.
Eles citam denúncias detalhadas, que vieram à tona desde desde 2019, além de uma queixa por estupro apresentada em fevereiro de 2026, um depoimento prestado aos investigadores em março de 2026 e um nome mencionado 2 mil vezes em documentos judiciais.
Críticas ao Ministério Público
Os advogados também lamentaram "o silêncio mantido durante meses diante de profissionais que buscavam contato com o Ministério Público". Segundo eles, mais de dez e-mails foram enviados desde abril e houve visitas frequentes ao tribunal para tentar falar com um dos magistrados responsáveis pelo caso.
Para as supostas vítimas, entre elas Ebba P. Karlsson, a situação representa uma nova forma de violência: a de jamais ver a pessoa acusada de explorá-las e agredi-las responder por seus atos e a de terem ficado meses sem informações por parte de uma instituição que afirmava estar mobilizada para ouvi-las.
Eles buscam explicações para o fato de que Siad não foi ouvido pelas autoridades, pedem que Gérald Marie seja interrogado o mais rapidamente possível e que outras pessoas eventualmente cúmplices de suas ações também sejam investigadas.
Os advogados também reivindicam que suas clientes sejam ouvidas sem demora. Na quarta-feira, a procuradora francesa declarou que a análise dos chamados "Epstein Files" mobiliza cerca de dez investigadores. Como resultado desse trabalho e de um chamado público para possíveis vítimas, 24 mulheres se apresentaram ou foram identificadas pelas autoridades.
Dessas, 16 já prestaram depoimento, enquanto as demais deverão ser ouvidas em breve. A procuradora acrescentou que Siad era alvo de técnicas especiais de investigação, incluindo interceptações telefônicas.
Com agências