Eurodeputados italianos e o Partido dos Socialistas Europeus apoiaram a candidatura de Lula e criticaram a interferência de grandes plataformas digitais na eleição brasileira. Os parlamentares citaram bloqueios temporários da Meta a anúncios petistas e a perfis críticos ao adversário Flávio Bolsonaro, alertando para o risco do controle de algoritmos sobre a democracia. Eles defenderam regras rígidas de transparência e responsabilização para conter o poder político e econômico das "big techs".
Eurodeputados italianos e o Partido dos Socialistas Europeus (PES) criticaram nesta segunda-feira (5) a atuação das grandes plataformas digitais na campanha presidencial brasileira, defenderam regras mais rígidas para impedir que empresas de tecnologia interfiram no processo eleitoral e manifestaram apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, contra Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo o eurodeputado Sandro Ruotolo, responsável pela área de Informação na secretaria nacional do Partido Democrático (PD), a atuação das grandes plataformas digitais durante a campanha do petista foi "alarmante".
"Dez dias antes do primeiro turno da eleição presidencial brasileira, a Meta ? proprietária do Facebook e do Instagram ? desativou repentinamente anúncios na página do Facebook do presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva", afirmou Ruotolo nesta segunda-feira (5).
De acordo com ele, a campanha de Lula recorreu da decisão e os anúncios foram restabelecidos poucas horas depois.
No mesmo dia, a empresa suspendeu um perfil no Instagram que havia publicado um vídeo viral sobre um escândalo de corrupção envolvendo politicamente Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL) e principal adversário de Lula.
O perfil também foi posteriormente reativado, e a Meta pediu desculpas, atribuindo o episódio a um erro interno.
"É a coincidência desses incidentes, ocorridos poucos dias antes da votação, que levanta uma questão: que poder as grandes plataformas exercem agora sobre a disputa democrática?", questionou o eurodeputado.
Para Ruotolo, o episódio brasileiro deve ser analisado também levando em consideração o cenário internacional. "Hoje, o Brasil nos confronta novamente com a mesma questão. Na Europa, discutimos a guerra híbrida de Moscou e as tentativas da Rússia de influenciar nossas democracias. No entanto, a guerra híbrida também se desenrola por meio das plataformas, através do controle da informação, dos algoritmos e do espaço onde a opinião pública é formada", declarou.
O parlamentar também relacionou o debate à crescente proximidade entre o poder político e o setor de tecnologia nos Estados Unidos. "E é aqui que entra em cena a América de Donald Trump.
Trump está cercado por algumas das figuras mais poderosas da indústria de tecnologia americana", disse.
Na avaliação de Ruotolo, o Brasil está entre os países que tentaram estabelecer controles mais rígidos sobre as grandes plataformas. "É essa convergência de poder político, econômico, tecnológico e informacional que deve nos preocupar", afirmou.
De acordo com o eurodeputado, um pequeno número de empresas privadas passou a controlar ferramentas utilizadas por bilhões de pessoas para acessar notícias, participar do debate público e formar opiniões. Esse poder, acrescentou, estaria cada vez mais alinhado à Casa Branca.
"A Europa deve responder aplicando plenamente suas próprias regras: transparência algorítmica, supervisão da publicidade política e responsabilização das plataformas", defendeu.
Por fim, Ruotolo enfatizou que "as eleições são decididas pelos cidadãos ? não por algoritmos, proprietários de plataformas ou potências estrangeiras".
A atuação das plataformas também foi criticada pelo eurodeputado Nicola Zingaretti, líder da delegação do Partido Democrático no Parlamento Europeu.
Ao compartilhar nas redes sociais a notícia sobre o bloqueio temporário dos anúncios de Lula pela Meta, ocorrido em 27 de setembro, ele questionou os limites do poder das empresas privadas sobre o debate público.
"A votação no Brasil também levanta uma questão: quão livres são as nossas democracias se algumas poucas plataformas privadas podem decidir quem pode falar, para quem e quando?", escreveu Zingaretti.
O Partido dos Socialistas Europeus (PES) também manifestou apoio à candidatura de Lula para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, destacando que "o próximo capítulo pertence ao povo brasileiro".
"À medida que o Brasil caminha para o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, apoiamos Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores. Compartilhamos o compromisso de combater a desigualdade, defender a democracia e garantir que os trabalhadores possam construir uma vida melhor para si mesmos", afirmou a legenda em mensagem publicada no X.
O presidente do PES, Stefan Löfven, ainda declarou solidariedade a Lula e aos brasileiros que defendem um país mais justo.
"Nossa solidariedade vai para Lula e para todos aqueles que lutam por um Brasil mais justo. Um Brasil onde a origem de alguém não determine o seu futuro, onde o trabalho árduo garanta segurança e onde cada geração tenha motivos para ter esperança.
Esse é um futuro pelo qual vale a pena nos unirmos", concluiu.
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