EUA intensificam ataques contra o Irã, que reage com bombardeios a aliados de Washington

Os Estados Unidos intensificaram os ataques em diversas regiões do Irã, que respondeu voltando a atingir países aliados de Washington. O regime iraniano afirmou nesta segunda-feira (20) que as negociações para encerrar a guerra continuam.

20 jul 2026 - 07h37

Desde a retomada dos combates, em 7 de julho, os EUA concentravam seus bombardeios no sul do país, próximo ao Golfo Pérsico. Mas, na última semana, o conflito se expandiu e passou a atingir o centro e o noroeste do território iraniano, segundo autoridades locais.

Nesta segunda-feira (20), uma pessoa morreu e várias ficaram feridas em bombardeios americanos contra Tabriz, no noroeste do Irã, a mais de mil quilômetros do Golfo. Outras ficaram feridas em ataques à cidade de Orumieh, na província vizinha. 

Publicidade

Washington afirma ter como alvo instalações militares, mas, segundo Teerã, os bombardeios atingiram áreas urbanas, incluindo Bushehr, onde fica a única usina nuclear em funcionamento no país. A central de Darkhovin, ainda em construção, também foi atingida no domingo, segundo o governo iraniano. 

O Irã pediu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) condene os bombardeios americanos contra a central de Darkhovin, de acordo com um comunicado divulgado pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï. 

"O Irã espera que o Conselho de Governadores da AIEA e seu diretor-geral, Rafael Grossi, que se pronunciam regularmente sobre a questão nuclear iraniana, esclareçam sua posição sobre esse assunto e condenem o crime perpetrado pelos Estados Unidos", afirmou. 

Em resposta aos ataques americanos, Teerã atingiu Kuwait e Bahrein, aliados dos Estados Unidos na região do Golfo, mas garantiu nesta segunda-feira que as negociações indiretas com Washington seguem em andamento. 

Publicidade

De acordo com o porta-voz iraniano, a diplomacia esteve ativa nos últimos dias. Paquistão, Catar e Omã participam dos esforços de mediação. O Exército do Kuwait informou que enfrenta uma nova ofensiva de drones iranianos. 

A Guarda Revolucionária, força ideológica da República Islâmica, afirmou no domingo ter destruído aeronaves americanas em Aqaba, na Jordânia, e realizado um "ataque surpresa" contra infraestruturas militares dos EUA em Al-Tanf, na Síria. 

Três militares americanos morreram recentemente no Oriente Médio: dois na sexta-feira, em ataques iranianos na Jordânia. Outro soldado continua desaparecido, e um terceiro morreu no Iraque durante a destruição de munições inimigas. 

Segundo Donald Trump, os recentes ataques americanos foram realizados "em homenagem" aos militares mortos. Ao todo, 17 militares americanos morreram desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Do lado iraniano, o último balanço oficial, divulgado na sexta-feira, registra 50 mortos e mais de 500 feridos desde a retomada dos combates. 

Publicidade
Patrulha no Estreito de Ormuz.
Patrulha no Estreito de Ormuz.
Foto: RFI

A rota "perigosa" de Ormuz 

O Irã também reforçou o controle sobre o estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial. A Guarda Revolucionária anunciou nesta segunda-feira a interceptação de dois petroleiros que teriam explodido ao tentar atravessar o estreito, após a imobilização de outros quatro navios no domingo. 

A agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou que um navio atingido por um "projétil" pegou fogo a cerca de 15 quilômetros a noroeste da localidade omanense de Kumzar. 

"Não devemos permitir que essa via marítima volte a ser desviada de sua finalidade principal para ameaçar a segurança e os interesses nacionais do Irã", afirmou Baghaï, acrescentando que seu país está "determinado a tomar as medidas necessárias" para garantir sua soberania. 

No domingo à noite, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu à comunidade internacional que se una a Washington para "proteger a navegação marítima" no estreito de Ormuz.  Antes da guerra, cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos passava pelo estreito. Desde a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, a passagem voltou a ser controlada pelo Irã. 

Publicidade

Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações