As autoridades dos Estados Unidos emitiram, nesta quarta-feira (29), um mandado de prisão contra o ex-diretor do FBI James Comey, após uma segunda acusação formal por supostamente ter feito "ameaças de morte" ao presidente Donald Trump.
A informação foi divulgada pela emissora CNN e indica que Comey pode ser detido ainda nas próximas horas, em um caso considerado sem precedentes na história recente dos Estados Unidos.
Segundo as acusações, o ex-chefe do FBI teria publicado, há cerca de um ano, uma imagem em uma rede social mostrando conchas organizadas de modo a formar os números "86 47", acompanhada da legenda: "uma formação curiosa de conchas durante minha caminhada na praia".
Na linguagem de restaurantes, o número "86" indica o ato de eliminar ou remover permanentemente um item do cardápio, enquanto o "47" supostamente se refere a Trump, o 47º presidente dos EUA.
Desta forma, a interpretação dada por críticos ? especialmente aliados do republicano ? é que o número "86" combinado com "47" configuraria uma ameaça velada.
A publicação foi posteriormente apagada por Comey, que afirmou não ter percebido possíveis conotações violentas e reiterou ser contrário a qualquer forma de violência. Ainda assim, autoridades abriram investigação e o caso evoluiu para duas acusações formais: uma por ameaçar diretamente o presidente e outra por transmitir comunicação interestadual contendo ameaça de morte.
O episódio ganhou forte repercussão política. Figuras do governo expressaram preocupação com a segurança de Trump, enquanto o Departamento de Justiça indicou que, apesar da singularidade do caso, a natureza das acusações exige investigação rigorosa.
Comey, por sua vez, declarou-se inocente e disse confiar na independência do sistema judiciário americano. Em mensagem publicada online, afirmou que continuará a se defender e criticou o que considera um uso inadequado das instituições judiciais.
"Isso não vai terminar aqui. No entanto, no que me diz respeito, nada mudou. Continuo inocente. Continuo sem medo. E continuo acreditando na independência do judiciário federal", declarou o ex-diretor do FBI.
No entanto, Comey enfatizou que "é crucial que todos nós nos lembremos de uma coisa: não é assim que o Departamento de Justiça deve operar". "A boa notícia é que, dia após dia, estamos nos aproximando cada vez mais para restaurar esses valores. Não perca a esperança."
Caso a prisão se concretize, será a primeira vez que um ex-diretor do FBI enfrentará detenção sob acusações desse tipo, marcando um momento inédito na política e no sistema judicial dos Estados Unidos.
Trump demitiu Comey em 2017, no início de seu primeiro mandato e, desde então, tem feito críticas frequentes à forma como o ex-diretor do FBI conduziu a investigação sobre a suposta interferência russa na eleição presidencial de 2016.
Em setembro do ano passado, Comey foi acusado de mentir e obstruir o Congresso em um depoimento prestado em 2020, relacionado ao suposto vazamento de informações internas para um jornalista. Na ocasião, ele negou qualquer irregularidade, e o caso acabou sendo arquivado após um juiz concluir que o promotor responsável pela acusação havia sido nomeado de forma ilegal.