O Fundo Global de Engajamento e Resiliência da Comunidade, organização global dedicada a prevenir o extremismo violento, disse nesta sexta-feira que os EUA cometeram um erro ao retirar seu apoio à entidade em um momento em que aumenta o risco de ataques de militantes em regiões como o Oriente Médio e o Sahel da África.
O GCERF (na sigla em inglês), que apoia programas de prevenção em dezenas de países com comunidades vulneráveis ao extremismo, estava entre as 31 entidades da ONU e 35 agências internacionais das quais os EUA anunciaram a saída na quarta-feira, argumentando que elas vão contra seus interesses.
Khalid Koser, diretor da GCERF, sediada em Genebra, disse que a decisão foi uma surpresa, e que ela reflete uma mudança ideológica mais profunda sob a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, que deixou de lado programas de prevenção multilateral e passou a adotar medidas de contraterrorismo com foco na segurança.
"Acho que é um erro retirar essa peça fundamental da prevenção. Mas não acho que esse governo acredite em prevenção", disse Koser à Reuters.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Koser disse que os riscos de violência extremista são maiores do que em qualquer outro momento desde as revoltas da Primavera Árabe de 2011, citando como exemplos o Afeganistão, o Sahel e os campos no nordeste da Síria que abrigam dezenas de milhares de membros da família do Estado Islâmico, além de uma nova geração em risco de radicalização após a guerra de Gaza.
"Se você não trabalhar na prevenção, daqui a 10 anos, você terá muitos terroristas e muitos problemas."
Sublinhando ainda mais o repúdio dos EUA aos órgãos de cooperação multilateral sob a política "America First" de Trump, a Casa Branca também anunciou que está deixando o Fórum Global de Contraterrorismo, que congrega 30 nações.
Os EUA ajudaram a estabelecer o programa do GCERF no nordeste da Síria, que ajuda a reintegrar as famílias dos antigos círculos de militantes do Estado Islâmico. Koser disse que, embora o trabalho do GCERF continue, a saída dos EUA é uma grande perda, e a decisão de Washington é desconcertante, já que a agenda da entidade continua relevante para os interesses nacionais dos EUA.
Com o encolhimento de outras agências internacionais após os cortes em massa na ajuda externa dos EUA no ano passado, a GCERF disse que agora carrega sozinha grande parte do fardo da prevenção global e que seu orçamento anual de US$50 milhões não aumentou para preencher as crescentes lacunas.
O Índice de Terrorismo Global de 2025, publicado pelo Instituto de Economia e Paz, mostrou que o número de países que registraram ataques terroristas aumentou de 58 para 66 em 2024, revertendo quase uma década de avanços.