Os Estados Unidos estão considerando classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas por pressão da família Bolsonaro, segundo uma reportagem do jornal "The New York Times" publicada nesta sexta-feira, 27.
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Segundo o jornal, a possibilidade tem sido discutida pelo Departamento de Estado norte-americano nas últimas semanas, após contatos dos filhos do ex-presidente brasileiro, Flávio e Eduardo – o primeiro pré-candidato a presidente do Brasil, e o segundo morando nos EUA depois de ter o mandato de deputado cassado.
Desde que voltou ao poder, no começo do ano passado, Donald Trump já incluiu 25 organizações estrangeiras como terroristas em sua lista. Parte delas, são latino-americanas, como o venezuelano Tren de Aragua e o Cartel de los Soles, além de norte-americanas, como seis cartéis mexicanos.
No início deste mês, durante uma cúpula com líderes da América Latina aliados ao governo Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, comunicou ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que Washington planejava incluir as facções brasileiras na lista de grupos terroristas.
A Casa Branca argumenta que a designação é feita a grupos criminosos que impõem riscos à segurança interna norte-americana. No caso da Venezuela, no entanto, a designação foi usada como pretexto para que Washington ordenasse uma operação militar, que culminou na captura de Nicolás Maduro.
Mas, na prática, o que a medida muda?
Em primeiro lugar se aplicam algumas sanções econômicas mais rigorosas a integrantes dos grupos, tais como:
- Bloqueio de ativos financeiros que estão no exterior;
- Deportação de faccionados e vistos negados;
- Isolamento do grupo internacionalmente;
- Além da dificuldade de receber treinamento, comprar armas e até contratar serviços.
Além disso, conforme o governo americano, essa designação facilitaria a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
A medida imposta por Trump também poderia autorizar o uso de força militar contra as facções em território americano, além de permitir o uso de inteligência e capacidades militares do Departamento de Defesa para atacá-los.