Segundo o site Axios, os EUA realizam uma operação militar secreta no Estreito de Ormuz para escoltar de 15 a 20 petroleiros por noite pela costa de Omã, após neutralizarem radares iranianos, viabilizando o escoamento de 10 milhões de barris diários. Contudo, dados de monitoramento da empresa Kpler contradizem essa versão ao registrar tráfego marítimo mínimo recente, indicando que a maioria dos armadores continua evitando a rota estratégica devido aos riscos do conflito.
O bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz pode não ser tão hermético quanto anunciado. Segundo o site americano Axios, os Estados Unidos organizam, há várias semanas, uma operação militar secreta para permitir a passagem de 15 a 20 petroleiros por noite pelo estratégico corredor marítimo.
A operação permitiria a saída de aproximadamente 10 milhões de barris de petróleo por dia, quase metade do volume que circulava pelo estreito antes da guerra.
A movimentação ocorreria principalmente durante a noite. De acordo com dois funcionários americanos citados pelo Axios, os navios utilizariam um corredor de navegação junto à costa de Omã, afastado das principais áreas monitoradas pelas forças iranianas.
A rota teria se tornado viável após a campanha militar americana contra os sistemas de radar iranianos. Com parte de sua capacidade de vigilância destruída, Teerã teria perdido condições de monitorar efetivamente aquele trecho do estreito.
Para proteger os petroleiros, a Marinha americana faria a escolta dos navios, com apoio de aviões e drones. Trata-se, segundo o artigo, de uma operação particularmente sensível, conduzida em segredo há várias semanas.
Dados da Kpler apontam para outro cenário
A informação sobre a operação secreta contrasta com os dados de monitoramento marítimo da Kpler, empresa que acompanha em tempo real os fluxos mundiais de petróleo e outras commodities.
Segundo dados preliminares divulgados na sexta-feira, apenas sete navios atravessaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira, 20 de agosto, metade do número registrado no dia anterior. Quatro embarcações entraram na via navegável e três saíram.
Nenhum superpetroleiro ou metaneiro, usado para transportar gás natural liquefeito, estava entre esses navios, segundo a Kpler. Um grande metaneiro, entretanto, teria transitado pelo estreito transportando propano e butano.
Os números reforçam a percepção de que os armadores continuam evitando uma das principais rotas marítimas do mundo diante dos riscos associados ao conflito.