A tensão segue escalonando no Oriente Médio desde sábado, 28, quando os Estados Unidos bombardeou o Irã em ataque coordenado com Israel e matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Motivados pelo “direito e dever legítimo” da vingança, o Irã contra-atacou, e o conflito chega ao quarto dia nesta terça-feira, 3. Confira os principais pontos sobre o que se sabe até o momento.
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Guerra dos 12 dias. Ano passado, em junho, os Estados Unidos bombardeou o Irã em apoio a Israel, que tinha o país como alvo. A mando de Trump, os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas – Fordow, Natanz e Esfehan. O conflito ficou conhecido como ‘Guerra dos 12 dias’, por um cessar-fogo ter sido firmado entre as partes após doze dias do ataque. Nessa ocasião, o republicano chegou a sugerir uma mudança de regime iraniano para que fosse possível “tornar o Irã grande novamente”. Mas, oficialmente, a justificativa seguiu sendo a neutralização de “ameaças aos interesses nacionais” por conta do programa nuclear iraniano.
Longas negociações. Os Estados Unidos e o Irã retomaram as negociações sobre a disputa nuclear, com o objetivo de evitar novos ataques. Na última quinta-feira, 26, em Genebra, o diálogo seguia. Foi a terceira rodada de negociações indiretas e não chegaram a um consenso. Em paralelo, o governo norte-americano fazia seu maior deslocamento militar para o Oriente Médio dos últimos anos. A tensão aumentava.
Morte do líder supremo. Até que, no sábado, os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra cidades iranianas. Centenas de pessoas morreram, incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Depois, sua esposa, Mansoureh Khojasteh, também morreu em decorrência de ferimentos causados pelo ataque.
‘Grande onda por vir’. Para o presidente norte-americano, esse foi o início de “grandes operações de combate” e ainda há uma “grande onda” por vir. “Nem começamos a atacar com força”, disse, em entrevista à CNN na segunda-feira, 2. Além disso, em discurso, ele estimou que a guerra irá durar de quatro a cinco semanas. “Mas temos capacidade de levar isso adiante por mais tempo”. O objetivo, reforçou o republicano, segue sendo acabar com um suposto potencial nuclear do Irã e destruir sua capacidade bélica. Os Estados Unidos estaria entre os principais ameaçados pelo poderio militar do Irã, alega. O Irã nega que estava desenvolvendo uma arma nuclear.
Vingança e ataques no Oriente Médio. O Irã declarou que a vingança é um “direito e dever legítimo” e segue respondendo com ataques direcionados a Israel e bases militares norte-americanas em países do Oriente Médio – como nos Emirados Árabes, Catar, Kuwait e Bahrein. Os Emirados Árabes Unidos foram um dos mais atingidos pela retaliação do Irã: apenas no primeiro dia de conflito, o país recebeu 67 mísseis e 541 drones iranianos. Desses drones, 35 caíram em território do país, resultando em três mortes. Uma delas aconteceu no aeroporto de Abu Dhabi.
Caos no espaço aéreo internacional. A situação acarretou no fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio, o que instaurou o caos no tráfego aéreo internacional. A região é um ponto chave para voos de longa distância, conectando a Europa e a Ásia, por exemplo, e aeroportos como os de Dubai, Abu Dhabi e Doha paralisaram as operações em meio à escalada do conflito. Milhares de pessoas foram afetadas pela medida – como o brasileiro, ouvido pelo Terra, que estava no Catar e perdeu o velório de seu avô no Brasil por conta da situação.
Ataque a assembleia iraniana. Durante a manhã desta terça-feira, 3, o prédio da Assembleia dos Peritos, órgão responsável por eleger o novo líder supremo do Irã, foi alvo de um ataque atribuído a Israel e aos Estados Unidos no momento em que 88 aiatolás estavam reunidos para escolher o sucessor, segundo fontes israelenses ouvidas pelo The Jerusalem Post. Até o momento, não há informações confirmadas sobre mortos ou feridos.
‘Tarde demais’. Donald Trump afirmou, no Salão Oval da Casa Branca nesta terça, que as Forças Armadas norte-americanas tiveram sucesso contra diversas defesas iranianas e que "praticamente tudo foi destruído" no Irã. Nas redes sociais, ele ainda descreveu que agora é "tarde demais" para negociações: "As defesas aéreas, a Força Aérea, a Marinha e as lideranças deles não existem mais. Eles querem conversar. Eu disse: 'Tarde demais'”.
Líbano e Hezbollah. O grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis contra Israel pelo segundo dia consecutivo, e o Líbano segue sendo arrastado para o conflito. Em retaliação, Israel enviou tropas para o sul do país e realizou uma série de ataques aéreos. O Hezbollah é um movimento islâmico xiita do Líbano que, assim como o Hamas, defende o fim do Estado de Israel. Eles assumiram a responsabilidade pelos disparos a Israel, também alegando ser uma medida de defesa do território libanês. Mas, internamente, a ofensiva provocou uma reação política: o primeiro-ministro Nawaf Salam determinou a suspensão das atividades militares do grupo e exigiu que seja entregue seu arsenal ao Estado.
Escola atingida e funeral coletivo. O Irã promoveu, nesta terça, uma cerimônia fúnebre coletiva para 165 alunas e funcionárias que morreram após um ataque descrito pelo governo como uma ação conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra uma escola feminina na cidade de Minab, no sul do país. As Forças Armadas de Israel e os Estados Unidos afirmaram não ter conhecimento de qualquer operação israelense ou americana na região mencionada.
*Com informações da Reuters e Ansa