Espanha afirma ter desmantelado uma das maiores redes de tráfico de pessoas do Mediterrâneo

7 ago 2026 - 11h34

A polícia espanhola desmantelou o que ‌descreveu como uma das maiores redes de tráfico de pessoas que operavam no Mediterrâneo, que se acredita ter levado mais de 2.000 imigrantes para o país, informaram autoridades nesta sexta-feira.

"A Guarda Civil e a Polícia Nacional ... desmantelaram com sucesso uma das redes criminosas transnacionais mais complexas, ativas e ⁠perigosas detectadas até o momento no Mediterrâneo", informou a Guarda Civil espanhola.

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A ‌operação ocorre em um momento em que a imigração e o tráfico de pessoas voltaram a ser tema central na Espanha e ‌em toda a Europa, após uma corrida em ‌massa para a fronteira no enclave espanhol de Ceuta na ⁠semana passada, que resultou na entrada de 72 mil pessoas na cidade.

De acordo com o comunicado, a rede utilizava barcos de alta velocidade para transportar drogas sintéticas da Espanha para a Argélia, a fim de distribuí-las pelo Norte da África, onde a demanda por drogas como MDMA ‌é alta.

Na viagem de volta, a rede contrabandeava imigrantes para a costa sudeste ‌da Espanha e para ⁠a ilha de ⁠Ibiza.

A polícia acredita que o grupo — que recorria à violência extrema para proteger suas ⁠embarcações — realizou pelo menos 64 ‌operações de contrabando e gerou ‌lucros de 24 milhões de euros.

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Embora o número de imigrantes irregulares que chegaram à Espanha por via marítima tenha caído 31% entre janeiro e julho, isso se deveu em grande parte a uma ⁠queda de 60% nas chegadas às Ilhas Canárias, segundo dados do Ministério do Interior.

Em contrapartida, a imigração irregular para a Espanha continental e as Ilhas Baleares aumentou 22% e 10%, respectivamente, no mesmo período, à medida que os contrabandistas mudaram ‌suas rotas passando pela Argélia.

Durante a investigação, conduzida em conjunto com a Europol e as polícias de França, Portugal e Polônia, as autoridades ⁠apreenderam 18 embarcações de alta velocidade e prenderam 77 pessoas na Espanha e uma na Argélia.

A rede cobrava até 12.000 euros por imigrante e transportava até 50 pessoas em uma única travessia, segundo o comunicado.

As travessias marítimas eram extremamente perigosas, informou a Guarda Civil, com os imigrantes viajando em embarcações superlotadas em alta velocidade e, frequentemente, em mar agitado, sem iluminação e, na maioria dos casos, sem coletes salva-vidas.

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"Às vezes, os ocupantes eram até amarrados para evitar que caíssem ao mar durante a travessia", disse a polícia, acrescentando que a organização praticava níveis extraordinários de violência contra seus próprios membros e os imigrantes, bem como contra as forças policiais.

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