Celio Fioretti, correspondente da RFI em Seul
A Sinokor, uma empresa desconhecida do público em geral, que opera no setor marítimo, tornou-se a empresa mais prolífica do momento nas últimas semanas. Nos meses que antecederam o conflito no Oriente Médio, Chung Ga-hyun, o discreto chefe desta empresa de navegação familiar sul-coreana, adquiriu inúmeros superpetroleiros (Very Large Crude Carriers), imponentes navios-tanque capazes de transportar quase dois milhões de barris de petróleo.
Embora os números exatos não tenham sido divulgados, a empresa supostamente possui cerca de 150 superpetroleiros. Alguns desses navios estavam aguardando, vazios, em portos no Golfo Pérsico, mas o bloqueio do Estreito de Ormuz representou uma oportunidade de ouro.
Armazéns Flutuantes
Com os terminais de petróleo atingindo a capacidade máxima, já que nada flui pelas águas do estreito bloqueado, a Sinokor está oferecendo seus superpetroleiros vazios como armazéns flutuantes pela modesta quantia de US$ 500 mil por dia, um preço cinco vezes maior que a média pré-guerra.
Será que Chung Ga-hyun previu a guerra, ou simplesmente teve uma sorte incrível? De qualquer forma, ele agora é um dos poucos que lucraram com o bloqueio do Estreito de Ormuz até o momento.
Falta de apoio para garantir segurança de Ormuz
O presidente americano, Donald Trump, voltou a criticar os aliados dos Estados Unidos nesta quarta-feira (18) por se recusarem a ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz e levantou a possibilidade de uma retirada de Washington.
O líder republicano tem demonstrado crescente irritação nos últimos dias com a recusa de importantes aliados da Otan, incluindo França e Reino Unido, em ajudar os Estados Unidos a abrir essa passagem, por onde transitava quase 20% do petróleo bruto mundial antes da guerra.
"Eu me pergunto o que aconteceria se 'acabássemos' com o que restou do Estado terrorista iraniano e deixássemos que os países que o utilizam — e não nós — fossem responsáveis pelo chamado 'estreito'? Isso faria com que alguns de nossos 'aliados' indiferentes se movessem, e rápido!!!", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Trump tem feito declarações contraditórias sobre o assunto. Na terça-feira (17), ele classificou a recusa de muitos países da Otan em auxiliar os Estados Unidos na segurança do Estreito de Ormuz como um "erro realmente estúpido", afirmou que a assistência deles era, em última análise, desnecessária, e declarou que Washington "gostaria de alguma ajuda" na detecção de minas na região.
Ao mesmo tempo, as forças armadas americanas usaram bombas antibunker para atacar locais de defesa iranianos perto do Estreito de Ormuz.