O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, condenou nesta quinta-feira (13) o cerco imposto por colonos israelenses a casas de palestinos no vilarejo de Qusra, na Cisjordânia ocupada, e classificou o episódio como um "horrível ato de terrorismo".
"As ações dos responsáveis por esse horrível ato de terrorismo, que visava intimidar e assediar essa família, são repugnantes", escreveu o diplomata norte-americano na rede social X.
Segundo Huckabee, "nenhuma desculpa justifica esse comportamento de arruaceiros".
O episódio envolve famílias palestinas que, de acordo com relatos de moradores, estão impedidas de deixar suas casas ou receber suprimentos, tendo em vista que os colonos bloquearam as estradas e cortaram o fornecimento de água e eletricidade.
Entre os palestinos cercados está Aisha Abu Rida, que afirmou que sua família permanecerá em casa apesar da pressão dos colonos. "Não deixaremos nossa casa, aconteça o que acontecer", disse ela. "Estamos cercados por colonos israelenses, mas permanecemos firmes." De acordo com a palestina, a família está disposta a permanecer na residência mesmo diante dos riscos. "Mesmo que nos tornemos mártires, pedimos para ser enterrados em nossa casa, para que ela permaneça como um testemunho dos crimes cometidos pelos colonos contra nós e contra o povo palestino", acrescentou.
A situação provocou também a intervenção das Forças de Defesa de Israel (FDI), que ordenaram que os moradores de casas sitiadas em Qusra, bem como outros residentes locais, evacuassem o local no prazo de uma hora antes de uma operação militar que deve durar vários dias.
O Exército enviou o 51º Batalhão da Brigada Golani ao local, após o cerco realizado por colonos extremistas. O prefeito do vilarejo declarou à Al Jazeera que as FDI isolaram completamente a área, impuseram toque de recolher e mobilizaram centenas de soldados para desmontar o posto avançado ultraortodoxo.
Por sua vez, a Liga Árabe também condenou o que classificou como uma "grave escalada" das ações israelenses nos territórios palestinos ocupados. O secretário-geral da organização, Nabil Fahmy, criticou incursões, prisões, demolições de casas e a violência de colonos contra palestinos e suas propriedades.
Em relação a Qusra, afirmou que colonos estabeleceram um posto avançado diante de casas palestinas e cercaram famílias dentro de suas próprias residências.
A Liga Árabe também condenou as incursões à Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, e as restrições impostas ao acesso de fiéis muçulmanos ao local. Para a organização, essas ações fazem parte de uma tentativa de alterar o status histórico e jurídico da mesquita.
Fahmy pediu à comunidade internacional e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que atuem com urgência contra o que chamou de práticas ilegais de Israel nos territórios ocupados e nos países vizinhos.
Por fim, incluiu em sua condenação os ataques israelenses no sul do Líbano, mencionando bombardeios contra instalações públicas e residências. Para Fahmy, a escalada regional pode empurrar o Oriente Médio para "uma espiral de violência difícil de conter".
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