Putin visita ilha disputada próxima ao Japão, provocando a ira de Tóquio

13 ago 2026 - 12h23

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, visitou ‌nesta quinta-feira uma ilha disputada próxima ao Japão, o que gerou forte condenação por parte de Tóquio.

A ilha, conhecida na Rússia como Iturup e no Japão como Etorofu, é uma das quatro do arquipélago das Curilas — próximo às principais ilhas do Japão — que foram ocupadas por Moscou nos dias seguintes à rendição do ⁠Japão na Segunda Guerra Mundial. Tóquio mantém sua reivindicação sobre elas, tornando sua ‌devolução uma condição para a celebração de um tratado de paz formal que possibilitaria laços econômicos mais estreitos.

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A visita "fere os sentimentos do povo japonês e é ‌absolutamente inaceitável", afirmou a primeira-ministra do Japão, Sanae ‌Takaichi, em uma declaração televisionada. "Esperamos que o lado russo leve a ⁠sério a gravidade desta questão", acrescentou ela.

As relações entre Moscou e Tóquio se deterioraram depois que Putin ordenou a invasão em grande escala da Ucrânia em 2022. O Japão se juntou a outras nações na condenação do ataque e na imposição de sanções à Rússia.

A visita de Putin à ilha ocorre dois dias ‌antes de o Japão completar 81 anos desde que sua rendição encerrou a Segunda ‌Guerra Mundial, e um ⁠dia depois de a ⁠Coreia do Norte ter lançado um míssil no mar que separa o país do Japão, ⁠antes de grandes exercícios militares conjuntos ‌entre Coreia do Sul e ‌Washington.

Putin visitou uma escola, um hospital e uma fábrica de processamento de peixes no que a agência de notícias estatal TASS descreveu como sua primeira viagem ao arquipélago disputado. O ex-presidente Dmitry Medvedev foi o primeiro líder ⁠russo a visitar o local, em 2010.

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"Que clima maravilhoso vocês têm por aqui, parece mesmo um resort!", disse Putin aos moradores em um vídeo divulgado pelo Kremlin.

O Ministério das Relações Exteriores do Japão convocou o embaixador russo Nikolai Nozdrev para apresentar um protesto formal contra ‌a visita.

Em resposta, a embaixada da Rússia em Tóquio afirmou que as ilhas são parte integrante da Rússia e se tornaram território russo com base em "fundamentos ⁠internacionais legítimos".

"As viagens do presidente dentro do nosso país são uma questão que cabe inteiramente à liderança russa decidir e não podem ser objeto de discussão com Estados estrangeiros", afirmou a embaixada.

Na quinta-feira, Nozdrev e o embaixador da China, Wu Jianghao, emitiram uma declaração conjunta comprometendo-se a se opor a tentativas de revisar os resultados da Segunda Guerra Mundial. Eles também alertaram contra a remilitarização na Ásia-Pacífico, linguagem que ecoa a rejeição de Moscou à reivindicação do Japão sobre as ilhas.

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O ex-presidente Medvedev postou no X que as ilhas "foram, são e continuarão sendo território russo".

Ele acrescentou: "Quem não compreender isso enfrentará as consequências monstruosas de sua ilusão."

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