François Hume-Ferkatadji, enviado especial a Ceuta
Eles caminham em pequenos grupos ao longo da costa e passam os dias entre mergulhos e descanso à sombra das árvores. Os menores marroquinos que chegaram a Ceuta ainda alimentam a esperança de alcançar a Europa e não desejam voltar ao Marrocos.
É o caso de Bilal, 17 anos: "Quero ficar aqui, em Ceuta, ou na Europa. No Marrocos não há nada, não tenho futuro lá."
Alguns conseguiram uma vaga em centros de acolhimento; outros dormem na rua. Todas as noites, eles se reúnem na playa del Trampolín, junto aos demais exilados vindos de toda a África e do Oriente Médio. Ali, as grandes ONGs distribuem sanduíches e oferecem cuidados básicos, mas as necessidades são enormes.
"Achamos que ainda há, em Ceuta, mais de 7 mil, 8 mil, 10 mil pessoas. Não temos como saber, porque não estão registradas", afirma Julian Rodriguez, médico voluntário.
Barracos improvisados foram erguidos na praia com papelão e pedaços de madeira. Longas filas se formam diante das equipes médicas, que tratam ferimentos, doenças de pele e problemas respiratórios. "Aqui, saúde pública não existe. Uma praia, necessidades pessoais… Não, é impossível", acrescenta o médico.
No que se parece cada vez mais com uma queda de braço diplomática, Rabat responsabiliza justamente as autoridades espanholas pelas condições de vida dos menores não acompanhados. Mas a legislação espanhola proíbe qualquer retorno coletivo desses jovens: cada criança deve passar por uma avaliação individual.