Análises sobre o Pisa apontam que o avanço das telas e redes sociais prejudicou o desempenho estudantil, reduzindo o hábito de leitura e o acompanhamento dos pais. Em contrapartida, o sucesso do Reino Unido em ciências evidencia a eficácia de reformas educacionais baseadas em escolas públicas com gestão autônoma, reforço pedagógico individualizado e destinação de recursos específicos para estudantes socialmente desfavorecidos.
Libération se concentra principalmente na queda dos resultados em leitura. O jornal associa diretamente o fenômeno à expansão do uso de telas e das redes sociais, destacando a substituição da leitura pela cultura da imagem e do conteúdo rápido. O artigo argumenta que, embora livros e smartphones tenham coexistido durante algum tempo, sinais como a retração do mercado editorial, o fechamento de livrarias e a perda de leitores pelos jornais indicam um enfraquecimento do hábito de ler.
O editorial também alerta que a disseminação crescente das ferramentas de inteligência artificial pode aprofundar ainda mais esta crise, levantando dúvidas sobre os impactos futuros na formação intelectual e na capacidade de compreensão dos jovens.
Le Figaro se centra no bom desempenho do Reino Unido, que ficou no oitavo lugar mundial em ciências. Para a publicação, ele foi impulsionado por reformas educacionais implementadas ao longo das últimas duas décadas, especialmente a expansão do modelo das "academies", escolas públicas financiadas pelo Estado, mas com ampla autonomia administrativa e pedagógica. Segundo os defensores do modelo, essa autonomia favoreceu a inovação educacional e a implementação mais rápida de práticas pedagógicas eficazes.
O texto cita exemplos de academias bem-sucedidas, como a Brampton Manor e a London Academy of Excellence (LAE), que conseguem aprovar alunos em universidades de elite como Oxford e Cambridge. Entre os fatores apontados estão apoio acadêmico intensivo, acompanhamento individual e estruturas voltadas para o sucesso universitário.
Outro elemento apontado como decisivo é o programa "pupil premium funding", criado em 2011 para destinar recursos extras a escolas com alunos de origem social desfavorecida.
Participação dos pais
Já a reportagem do Le Parisien destaca que os resultados mais recentes do Pisa revelam uma queda significativa no envolvimento dos pais com a vida escolar dos filhos, apontando esse enfraquecimento do apoio familiar como um fator de preocupação para especialistas em educação.
No caso da França, a pesquisa da OCDE mostra uma redução expressiva do acompanhamento parental. Apenas 49% dos adolescentes afirmam que pelo menos um dos pais demonstra interesse regular pelo que aprendem na escola, contra 63% na edição anterior do Pisa.
Também caiu a frequência das conversas entre pais e filhos sobre dificuldades escolares. As discussões sobre projetos educacionais e continuidade dos estudos também diminuíram, assim como o acompanhamento cotidiano da vida escolar.
Representantes de associações de pais e professores citados pelo jornal associam parte desse afastamento à presença crescente de telas, redes sociais e ferramentas digitais dentro das famílias. Segundo eles, o tempo gasto em dispositivos eletrônicos reduziu os momentos de diálogo entre pais e filhos sobre a escola.