Uma delegação iraniana de alto nível chegou nesta sexta-feira (10) a Islamabad, no Paquistão, para iniciar possíveis negociações de paz com os Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela mídia iraniana e repercutidas pelo jornal "The Guardian".
De acordo com os relatos, as conversas só terão início caso Washington aceite as "pré-condições" estabelecidas por Teerã.
A delegação é liderada pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e inclui altos representantes políticos, militares e econômicos.
Entre os integrantes estão o ministro das Relações Exteriores do Irã, o secretário do Conselho de Defesa, o governador do Banco Central e diversos parlamentares.
O período que antecede as negociações entre o Irã e os Estados Unidos está marcado por forte incerteza diplomática e escalada de tensões regionais, colocando em dúvida a manutenção de uma frágil trégua de duas semanas e aumentando o temor de um novo ciclo de instabilidade no Oriente Médio.
Segundo declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, as tratativas já começam em clima desfavorável devido às ações atribuídas a Teerã no Estreito de Ormuz, onde Washington acusa o Irã de impor restrições ao tráfego marítimo com o uso de minas e cobrança de pedágios.
A crítica foi reforçada pelo vice-presidente dos EUA, J.D Vance, que chefia a delegação americana em deslocamento para o Paquistão, pedindo cautela e acusando o governo iraniano de tentar "armadilhas diplomáticas".
A reunião entre as partes ocorrerá em Islamabad, capital fortemente militarizada do Paquistão, onde autoridades locais reforçaram a segurança para receber representantes das duas potências envolvidas.
Enquanto isso, a crise se amplia no Líbano. O governo de Israel mantém operações militares contra o grupo Hezbollah no sul do território libanês, gerando forte reação do governo de Beirute e aumentando a pressão sobre Teerã, que vê seus aliados regionais sob ataque.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, manteve contato telefônico com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, destacando o apoio a um processo de negociação capaz de estabilizar a região e reabrir de forma sustentável o Estreito de Ormuz.
Ambos também reforçaram a necessidade de um acordo sobre o programa nuclear iraniano como elemento central para o equilíbrio regional.
Nos Estados Unidos, J.D Vance afirmou antes de embarcar que espera "um resultado positivo", mas advertiu os líderes iranianos a não "zombarem" de Washington. Ele deve estar acompanhado de assessores próximos de Trump, incluindo Steve Witkoff e Jared Kushner.
A principal fonte de tensão continua sendo o controle do Estreito de Ormuz. Segundo autoridades regionais, mais de 200 petroleiros aguardam autorização para navegação a partir dos Emirados Árabes Unidos, enquanto o fluxo de navios caiu drasticamente após o cessar-fogo recente. Washington acusa Teerã de impor "coerção econômica" ao restringir a passagem.
Trump reagiu com mensagens duras em sua rede social, afirmando que o Irã "não tem outras cartas na manga" e advertindo que, caso não haja acordo, ataques poderão ser retomados "com maior intensidade e armamentos superiores".
As exigências de Teerã incluem o levantamento de sanções econômicas e o reconhecimento de seu direito ao enriquecimento de urânio para fins civis, enquanto Washington defende a retirada completa dos estoques do país. Outro ponto sensível é a libertação de cidadãos americanos detidos no Irã, que deve ser colocada como condição central pela delegação dos EUA. .