A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli anunciou nesta sexta-feira (10) que apresentou um recurso à Suprema Corte de Cassação da Itália para tentar evitar sua extradição ao Brasil, autorizada no fim de março pelo Tribunal de Apelação de Roma.
Em nota enviada ao portal G1, os advogados da ex-parlamentar bolsonaristas informam que, "desde o início, a defesa sustenta pontos que agora são reiterados no recurso, como questionamentos sobre o sistema carcerário brasileiro, críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e possíveis irregularidades processuais".
Além disso, os representantes jurídicos de Zambelli apontam que há falhas no processo, "tanto na ausência de correspondência do crime de 'hackeragem' na legislação italiana quanto na forma como o pedido de extradição foi formalizado".
A ex-deputada fugiu para a Itália para escapar de uma condenação de 10 anos de prisão por ter invadido os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O crime foi cometido com a ajuda do hacker Walter Delgatti Neto, sentenciado a oito anos e três meses de detenção, e tinha o objetivo de prejudicar a credibilidade do poder Judiciário, inclusive com a inserção de um falso mandado de detenção contra Moraes.
Após deixar o país na sequência de uma condenação pelo Supremo, Zambelli passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira. Por esse motivo, o Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhou um pedido de extradição, assinado por Moraes, relator do caso.
No fim de março, a Corte de Apelações da Itália ? última instância da Justiça italiana ? aceitou o pedido de extradição apresentado pelo STF.
Entretanto, os advogados da bolsonarista alegam que "o crime de natureza digital atribuído à parlamentar não possui equivalência na legislação italiana, requisito essencial para a extradição".
Além disso, eles "contestam a validade do pedido brasileiro, sob o argumento de que não teria sido formalizado pela autoridade competente à época".
A ex-parlamentar, que também tem cidadania italiana, está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, desde o fim de julho de 2025, e agora a Corte de Cassação tem até seis meses para julgar o recurso. Após essa etapa, a decisão final sobre a extradição caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio.