Frédérique Misslin, correspondente da RFI em Jerusalém
Vinte dias após o início do conflito, as consequências econômicas em Israel já são visíveis, afirma Yossi Spiegel, economista da Universidade de Tel Aviv. "Muitas empresas e lojas estão fechadas. As pessoas não podem ir trabalhar, e o esforço de guerra custa alto. As operações da Força Aérea e a defesa aérea são muito caras", explica.
O preço varia conforme os sistemas, mas a interceptação de um míssil custa entre US$ 50.000 e US$ 1 milhão. Por enquanto, a economia israelense tem absorvido esse impacto.
Apoio de Washington
A ajuda americana enviada a Israel inclui US$ 500 milhões por ano para a defesa antimíssil do país. Mesmo assim, o Parlamento israelense quer aumentar o orçamento de defesa para 2026: quanto mais o conflito durar, maior será a conta.
Reservistas precisam ser indenizados, e aqueles cujas casas foram destruídas precisam ser ressarcidos. Tudo isso representa um grande risco para as contas públicas, aponta Yossi Spiegel.
"Se a guerra atual continuar por seis semanas, o custo será de 100 bilhões de shekels, ou € 25 bilhões. Isso representa 16% ou 17% do orçamento planejado para 2026", salienta o economista.
Alta tecnologia é um "escudo econômico"
O governo de Benjamin Netanyahu, que decidiu atacar o Irã, destaca a resiliência da economia. Por ora, Israel tem um baixo nível de endividamento, e o investimento estrangeiro continua crescendo, com a arrecadação de impostos aumentando, principalmente graças às empresas de alta tecnologia, um setor essencial para o país.
"A alta tecnologia representa apenas 10% da força de trabalho em Israel, mas gera uma grande parcela do Produto Interno Bruto. Cinquenta por cento das exportações israelenses estão relacionadas a esse setor, que também responde por 30% da arrecadação de impostos", explica Yossi Spiegel.
Segundo o Ministério das Finanças israelense, até junho de 2025, os 12 dias de guerra contra o Irã custaram US$ 20 bilhões.