O FMI disse nesta quinta-feira que monitora de perto os desdobramentos da guerra do Irã e as interrupções na produção de energia, alertando que aumentos prolongados nos preços de energia poderiam impulsionar a inflação e reduzir o crescimento global.
Julie Kozack, porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), relatou a jornalistas que o conflito já resultou em interrupções significativas nos embarques marítimos de petróleo e gás natural, fazendo com que os preços do petróleo bruto subissem mais de 50%, chegando a mais de US$100 por barril.
O credor global não recebeu nenhuma solicitação formal de financiamento emergencial, mas está pronto para ajudar os países membros conforme necessário, disse Kozack. Ela disse que as autoridades do FMI estão se engajando ativamente com ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países membros, assim como com instituições regionais.
Segundo Kozack, o impacto geral da guerra vai depender de sua duração, intensidade e extensão. O FMI incluirá a guerra em suas perspectivas econômicas globais atualizadas, a serem divulgadas em meados de abril, durante as reuniões de primavera (no hemisfério norte) do FMI e do Banco Mundial.
"Os preços do petróleo e do gás, como você sabe, aumentaram mais de 50% no último mês, chegando a mais de US$100 por barril de Brent. Além disso, as remessas de fertilizantes foram interrompidas, e isso, juntamente com as interrupções no transporte, aumenta os riscos de que possamos ver aumentos nos preços dos alimentos, e esses podem ser substanciais, novamente, dependendo da duração e da intensidade", disse ela.
Sem perspectiva de fim, já perto de três semanas após o início da guerra, potências europeias e o Japão disseram nesta quinta‑feira que agirão para estabilizar os mercados de energia e se somarão a "esforços apropriados" para liberar o ponto de estrangulamento no Golfo Pérsico, após uma escalada dramática na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã com ataques de retaliação a instalações de energia.
Kozack citou uma "regra prática" do FMI, segundo a qual cada aumento de 10% nos preços de energia, se mantido por cerca de um ano, resultaria em um aumento de 40 pontos-base na inflação global e em uma queda na produção de 0,1% a 0,2%.
Caso os preços do petróleo permaneçam acima de US$100 por um ano, isso se traduziria em impactos significativos na inflação e na produção econômica global.
Os bancos centrais, avaliou, devem permanecer vigilantes na esteira do aumento dos preços de energia, observando cuidadosamente se a inflação está se expandindo além dos preços de energia e se as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas.
Segundo ela, a avaliação preliminar do FMI é que a guerra deve enfraquecer o crescimento nos integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Muito dependeria, observou, da capacidade dos países de retomar as exportações de suprimentos de petróleo e gás.