Cruz Vermelha defende procedimento em imigrante que morreu em Bolonha

Socorristas realizaram manobras de reanimação em Fakir após agentes imobilizarem o homem

22 jul 2026 - 14h43

O tempo entre a conclusão da operação policial para imobilizar o marroquino Abderrahim Fakir e a intervenção de socorristas voluntários da Cruz Vermelha Italiana (CRI), que tentaram salvar sua vida, foi "menos de um minuto".

    A informação foi obtida pela ANSA com base em fontes próximas à CRI, que garantiram que Fakir, de 42 anos, "ainda apresentava sinais vitais detectáveis quando os voluntários conseguiram se aproximar dele, embora seu estado já parecesse crítico".

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    Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (22), a CRI garantiu que seus voluntários "realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar e utilizaram um desfibrilador na tentativa de salvar o paciente".

    A declaração chega após a abertura de um inquérito pelo Ministério Público de Bolonha pelo falecimento de Fakir durante uma intervenção policial. O caso, ocorrido domingo (19), envolve dois agentes das forças de ordem e quatro socorristas da Cruz Vermelha.

    Em sua defesa, a ONG afirmou que entregou à Justiça os equipamentos usados na operação de reanimação.

    Hoje, o vice-premiê da Itália e ministro da Infraestrutura e dos Transportes, Matteo Salvini, defendeu tanto a CRI quanto à atuação da polícia.

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    "Sem querer antecipar os resultados da autópsia ou as conclusões das autoridades judiciais, tenho absoluta certeza de que as equipes que atenderam à ocorrência naquela noite não queriam nada além de evitar uma morte, e agiram em conformidade com o protocolo, os regulamentos e o bom senso", disse Salvini ao rebater as acusações populares de "assassinato de Estado", que levaram a uma manifestação violenta na capital da Emilia-Romagna na noite de segunda-feira (20).

    Por outro lado, o advogado da família de Fakir, Fabio Anselmo, apresentou um novo vídeo sobre o momento da ocorrência, que mostra que o marroquino "não entrou em combate com os agentes" para que eles o mantivessem imobilizado.

    "Ele [o vídeo] não registra isso porque essa luta não ocorreu, e esse não é o vídeo da câmera corporal de que falam: trata-se de um diferente", explicou Anselmo, acrescentando ter ouvido "testemunhas que relatam uma realidade completamente distinta" daquela que sustentam os envolvidos.

    A família da vítima anunciou hoje que pretende repatriar o corpo de Fakir ao Marrocos, para que seja enterrado em Casablanca.

    O marroquino chegou à Itália ainda criança, tendo crescido em Bolonha. De acordo com seu cunhado, Hamed Mimi, ele era "uma pessoa tranquila, mas que tinha problemas cardíacos e descobrira, há pouco, uma doença muito séria".

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    "Ele estava agitado por isso", revelou Mimi à ANSA sobre os últimos dias de seu parente.

    No domingo (19), moradores do bairro Pilastro chamaram a polícia porque Fakir apresentava comportamento agressivo e teria ameaçado um motorista que estacionava um veículo em uma garagem nas proximidades.

    De acordo com as investigações preliminares, os agentes tentaram inicialmente acalmar Fakir, mas ele teria reagido de forma agressiva, chegando a chutar a viatura policial. Os policiais supostamente utilizaram spray de pimenta e, em seguida, imobilizaram o homem, prendendo suas mãos e tornozelos.

    Um vídeo gravado por um morador e amplamente divulgado nas redes sociais mostra Fakir no chão enquanto grita por "socorro" e pede para que parem a contenção. Em seguida, ele perde os sentidos. Os agentes, chamam, então, o serviço de emergência, relatando que um homem estava em "crise psiquiátrica".

    A morte de Fakir desencadeou um protesto violento em Bolonha, com agressões de manifestantes contra as forças de ordem, que foram chamadas de "assassinos".

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    O episódio desencadeou uma crise política na Itália e gerou manifestações em outras cidades do país em prol de Fakir.

    A família do marroquino reforçou nesta quarta-feira que busca "justiça e não caos" por sua perda. .

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