Crise de moradia na Espanha: reviravolta pode levar idosa de 87 anos de volta para casa após ser desalojada em Madri

Segundo advogada da espanhola, empresa proprietária do imóvel permitirá que ela pague um aluguel proporcional à sua aposentadoria.

30 set 2026 - 06h21
Resumo
Maricarmen Abascal, de 87 anos, que virou símbolo da crise de moradia na Espanha após ser despejada do apartamento onde viveu por 70 anos, conseguiu um acordo para voltar ao imóvel pagando um valor acessível. A decisão resultou de intensa pressão popular e grandes protestos pelo país contra a disparada dos aluguéis. O caso impulsionou o governo a criar medidas de proteção aos inquilinos e proibir despejos, em meio a um déficit habitacional estimado em 700 mil residências.
Maricarmen Abascal foi despejada da casa onde morava há mais de 70 anos
Maricarmen Abascal foi despejada da casa onde morava há mais de 70 anos
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A história de Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos com problemas de mobilidade que se tornou um símbolo da crise habitacional espanhola após ser despejada do prédio onde morava há 70 anos, teve uma reviravolta na terça-feira (29/10), depois que sua advogada anunciou que ela poderá retornar para casa.

Após o despejo, ocorrido em 23 de setembro, a mulher precisou ser hospitalizada.

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Durante dias, a Urbagestión, empresa proprietária do prédio onde Maricarmen morava, foi acusada de se recusar a negociar para que ela pudesse permanecer.

No entanto, a advogada de Abascal, Beatriz Duro, declarou em coletiva de imprensa que houve "boa vontade de ambas as partes" e que sua cliente concordou em retornar para casa pagando um valor de aluguel semelhante, sob um novo contrato, evitando assim um aumento significativo.

O caso tinha provocado forte reação e indignação em toda a Espanha. O governo de Pedro Sánchez aprovou, na terça-feira, medidas de auxílio habitacional, que agora precisam da aprovação do Congresso espanhol.

Essas medidas incluem a proibição de despejos até 2030 e a prorrogação por dois anos dos contratos de aluguel com vencimento antes de 31 de dezembro de 2028, entre outras.

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Nos últimos dias, milhares de pessoas se mobilizaram na praça Puerta del Sol, no centro de Madri, montando um acampamento para exigir não apenas o retorno de Maricarmen para casa, mas também novas regulamentações sobre direitos habitacionais.

Uma longa batalha judicial

O pai de Maricarmen alugou a casa pela primeira vez em 1956 e ela continuou como inquilina após a morte de seus pais, em uma época em que havia um limite legal para os aluguéis.

Maricarmen foi desalojada e teve que ser levada a um hospital
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A empresa de investimentos Urbagestión, que comprou o imóvel em 2018, aumentou o aluguel de cerca de 500 euros por mês para 2.650.

Posteriormente, a empresa ofereceu uma redução para 1.650 euros, mas mesmo assim, Abascal não tinha condições de pagar, pois recebe uma pensão mensal de cerca de 1.350.

O apartamento fica em uma área nobre de Madri, tem 93 metros quadrados e 3 quartos.

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Três tentativas anteriores de despejo foram bloqueadas pelos tribunais.

Seu caso gerou protestos em todo o país e levou dezenas de milhares de pessoas a se manifestarem nas ruas das principais cidades espanholas para rejeitar o despejo e exigir maior proteção aos inquilinos diante da escassez de moradias e do aumento dos aluguéis.

Duro afirmou que o acordo que permitiu a Maricarmen retornar para sua casa é o "resultado da mobilização social".

Os apoiadores da idosa comemoraram o resultado como uma vitória, mas prometeram continuar a luta para evitar despejos semelhantes e pressionar por moradias mais acessíveis.

O Banco da Espanha estima que o país tenha um déficit de 700 mil moradias, com base na diferença entre a demanda existente e o ritmo de construção de novas casas.

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