Crise bancária desencadeia pedido de impeachment contra presidente Peña no Paraguai

4 nov 2026 - 21h11
Resumo
A oposição paraguaia pediu o impeachment do presidente Santiago Peña após a liquidação do banco digital Ueno pelo Banco Central, devido a déficits de solvência que lesaram cerca de 3 milhões de clientes. Ex-acionista do grupo proprietário do banco, Peña é acusado de conflito de interesses e desvio de verbas públicas. A crise provocou a renúncia do controlador da entidade, a prisão de executivos e receios de instabilidade financeira, enquanto a proposta de destituição segue para avaliação da Câmara.

Parlamentares da oposição deram continuidade, nesta ‌quarta-feira, a um processo de impeachment contra o presidente paraguaio, Santiago Peña, por considerá-lo responsável pela crise desencadeada após a intervenção no banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos seus recursos.

Trinta e cinco deputados apresentaram na Câmara dos Deputados o documento de acusação contra o presidente e solicitaram ao ⁠presidente da Câmara a convocação de uma sessão extraordinária na quinta-feira para tratar ‌do assunto.

Publicidade

Peña, um economista conservador que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava ‌com cerca de 3 milhões de clientes e ‌concentrava cerca de US$850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do ⁠Instituto de Previdência Social.

O Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira depois que o banco central iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

A oposição acusou Peña de incorrer em conflito de interesses, ‌manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do banco ‌central, entre outros pontos.

"Nunca antes ⁠alguém prejudicou, em ⁠um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu ⁠isso, senhor presidente... o senhor é a ‌origem desse monstro que ‌criou", disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.

Publicidade

A Câmara dos Deputados precisa de uma maioria qualificada de dois terços para dar início ao processo, ⁠e ainda não está claro se a bancada governista apoiará a proposta.

Peña afirmou em uma publicação no X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em ‌menos tempo.

"Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", afirmou.

O caso custou o cargo ao ⁠presidente da entidade controladora, Carlos Carvallo, e levou à prisão oito diretores da instituição sob intervenção, entre eles o presidente-executivo, Miguel Vázquez.

A Procuradoria emitiu mandados de prisão contra os executivos, que se entregaram às autoridades, e acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça também ordenou o bloqueio de seus bens.

Publicidade

Nesta quarta-feira, também circularam relatos sobre falhas em diversos aplicativos bancários, o que intensificou a preocupação em relação à confiança no sistema financeiro do país.

A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras estavam trabalhando para atender ao grande volume de clientes que estão transferindo suas contas do banco Ueno e ressaltou que o sistema bancário continuava "operando normalmente".

Peña não se pronunciou publicamente sobre a iniciativa de destituição.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações