Coreia do Norte anuncia ampliação de capacidades nucleares em projeto para modernizar Forças Armadas

A Coreia do Norte vai ampliar suas capacidades nucleares "em termos qualitativos e quantitativos" como parte do projeto de modernização de suas Forças Armadas, informou a agência estatal KCNA nesta sexta-feira (10). O país também informou que vai expandir o papel de seus serviços de inteligência.

10 jul 2026 - 08h13

O anúncio foi feito durante uma reunião da Comissão Militar Central do partido governista realizada na quinta-feira (9), segundo a agência de notícias norte-coreana. A infraestrutura técnica dos sistemas de combate também deverá ser modernizada, e Pyongyang pretende "acelerar a construção de bases navais modernas", acrescentou a KCNA.

O regime norte-coreano ainda pretende ampliar as funções e as missões do Escritório Geral de Reconhecimento e Inteligência, a agência de inteligência militar responsável pelas operações relacionadas à Coreia do Sul.

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De acordo com Hong Min, pesquisador do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, a mais recente iniciativa da Coreia do Norte ilustra a intenção de Pyongyang de tratar as duas Coreias como "dois Estados hostis". "A inteligência militar assume um significado diferente em uma abordagem de Estado para Estado, porque atividades de espionagem direcionadas a outro Estado soberano podem ter implicações diplomáticas", afirmou.

Durante a reunião, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, declarou que a paz e a segurança do país só podem ser garantidas por meio de um "Exército poderoso" e da neutralização de todas as ameaças.

A Coreia do Norte tem se declarado um "Estado nuclear irreversível" desde o fracasso da cúpula de 2019 entre Kim Jong Un e o presidente americano, Donald Trump, devido às divergências sobre a desnuclearização do país e a suspensão das sanções impostas ao regime. O país é alvo de diversas sanções bilaterais ou adotadas pela comunidade internacional que visam dificultar a implementação de seu programa nuclear.

Estudantes seguem em direção às estátuas de Kim Il Sung e Kim Jong Il na colina Mansu para homenagear o fundador do regime norte-coreano no 32º aniversário de sua morte, em 8 de julho. A data é uma das mais importantes do calendário político do país.
Estudantes seguem em direção às estátuas de Kim Il Sung e Kim Jong Il na colina Mansu para homenagear o fundador do regime norte-coreano no 32º aniversário de sua morte, em 8 de julho. A data é uma das mais importantes do calendário político do país.
Foto: RFI

Espionagem militar

A Coreia do Norte busca obter tecnologias militares, especialmente satélites de vigilância, em troca de "favores" feitos a países como a Rússia. O regime enviou, por exemplo, tropas enviadas para apoiar Moscou na guerra contra a Ucrânia. Em 2023, o país conseguiu colocar em órbita um satélite espião militar e afirmou que ele fornecia imagens das principais instalações militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.

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O Ministério da Unificação da Coreia do Sul declarou que acompanha "de perto" sinais da suposta ampliação das funções e missões dessa unidade norte-coreana. Desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953, a Coreia do Norte realizou operações de espionagem que vão da coleta de informações a assassinatos, incluindo o de Lee Han Young, em 1997, sobrinho da ex-companheira do ex-líder Kim Jong Il.

Um dos espiões norte-coreanos mais conhecidos foi Jeong Su Il, que entrou na Coreia do Sul em 1984 usando a identidade de Muhammed Kansu, um acadêmico filipino-libanês. Após ser desmascarado, ele cumpriu diversas penas de prisão na Coreia do Sul e, posteriormente, tornou-se historiador especializado na Rota da Seda e na história da Ásia Ocidental.

Com agências

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