Colômbia relata expansão da mineração aluvial de ouro, em sua maioria ilegal

2 out 2026 - 18h13
Resumo
A mineração de ouro aluvial na Colômbia cresceu 4,5% em 2025, atingindo 118.410 hectares, segundo a ONU e o governo local. Com 75% da produção operando na ilegalidade, o avanço ocorreu sobretudo em terras de comunidades afro-colombianas e reservas indígenas. Além de devastar florestas e poluir rios, a atividade coincide com plantações de coca e desponta como a segunda maior fonte de renda para grupos armados ilegais, levando autoridades a defenderem a rastreabilidade internacional do minério.

A produção de ‌ouro aluvial na Colômbia, em sua maioria ilegal, cresceu 4,5% em área em 2025 comparado a um ano antes, atingindo 118.410 hectares, com o aumento ocorrendo principalmente em terras de comunidades afro-colombianas, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e ⁠Crime (Unodc) e pelo governo.

O aumento de 5.100 hectares em relação a ‌2024 marcou o terceiro ano consecutivo de crescimento, informou o Unodc à Reuters.

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"Setenta e cinco por cento (da produção de ouro aluvial) é ‌ilegal, 21% possui licenças técnicas e/ou ambientais ‌e 4% está em processo de legalização", afirmou o ⁠relatório.

O ouro aluvial é encontrado nos leitos de rios e córregos e é normalmente extraído por meio de métodos de separação baseados na gravidade, como garimpo com bateia, canalização e dragagem e lavagem mecanizadas.

Como as técnicas exigem relativamente pouco equipamento e investimento, os depósitos aluviais ‌costumam atrair garimpeiros de pequena escala, ilegais ou informais.

Quase metade dos 32 ‌departamentos da Colômbia apresentou ⁠indícios de exploração ⁠de ouro aluvial no ano passado, com 61% do aumento ocorrendo em terras ⁠afro-colombianas. A produção de ouro ‌aluvial também foi detectada em ‌30 reservas indígenas, segundo o relatório.

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Indígenas e negros colombianos têm sido, historicamente, mais propensos a serem vítimas do conflito que já dura seis décadas no país, a sofrer com a pobreza ⁠e a viver em áreas mais isoladas.

Quase metade das áreas onde a produção ocorreu são zonas onde a mineração não é permitida, incluindo reservas florestais e parques nacionais.

De acordo com fontes de segurança, a mineração ilegal de ouro ‌é a segunda maior fonte de financiamento para grupos armados ilegais, depois do tráfico de drogas.

A mineração ilegal de ouro está destruindo ⁠florestas e poluindo rios com produtos químicos, afirmou a ministra de Minas e Energia, Maria Nohemi Arboleda, durante a apresentação do relatório.

Setenta e nove municípios com mineração aluvial de ouro em 2025 também apresentavam cultivo de coca.

"Quase metade da área com mineração aluvial de ouro também possui plantações de coca. É uma combinação, um negócio perfeito. Este não é um debate sobre mineração. É um confronto entre o Estado e as economias criminosas que usam o ouro para financiar a violência", disse Arboleda.

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Arboleda afirmou que os países que compram ouro deveriam exigir sistemas de rastreabilidade para verificar se o metal tem origem legal.

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