Christa Pike está "irritada e confusa" após tentativa fracassada de execução no Tennessee, dizem advogados

7 out 2026 - 16h58
Resumo
Condenada à morte em 1995, Christa Pike sobreviveu a uma tentativa fracassada de injeção letal no Tennessee e acordou hospitalizada com sequelas graves. O caso inédito levou a Justiça a ordenar a preservação de provas e fez o governador suspender as execuções no estado até o fim do ano. A defesa de Pike agora processa as autoridades por punição cruel e incomum, exigindo a comutação da pena para prisão perpétua em meio a críticas sobre a transparência e as drogas usadas no procedimento.

Christa Pike, condenada à morte por um homicídio ocorrido em 1995, acordou "irritada e confusa" em ‌um hospital nesta semana, com um longo período de recuperação pela frente, após ter sobrevivido à tentativa fracassada do Tennessee de executá-la, informaram seus advogados nesta quarta-feira.

Há uma semana, Pike, de 50 anos, foi levada da câmara de execução para um hospital em Nashville, inconsciente, em estado crítico e com ferimentos graves nos braços, após duas injeções do barbitúrico cáustico pentobarbital que não resultaram em sua morte na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend.

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Ainda na segunda-feira, seus advogados acreditavam que Pike encontrava-se com morte cerebral e que o suporte de vida seria desligado no dia seguinte, ⁠após a segunda execução mal sucedida no Tennessee neste ano, o que renovou o escrutínio sobre a pena de morte nos EUA.

"Mas na terça-feira, para o ‌choque de todos, incluindo eu, sua equipe e a equipe médica, Christa acordou e começou a falar", disse a jornalistas um de seus advogados, Randall Spivey,  após uma audiência nesta quarta-feira, na qual um juiz ordenou que as autoridades do Tennessee preservem as seringas e outras evidências da ‌execução malsucedida.

"Ela está com raiva e confusa com tudo neste momento", disse Spivey. "Ela está plenamente ‌ciente de que o Estado tentou executá-la."

O governador Bill Lee suspendeu todas as execuções até o final do ano, enquanto investigadores analisam ⁠as execuções malsucedidas de Pike e de Tony Carruthers, em maio, quando os funcionários da prisão não conseguiram instalar o acesso intravenoso.

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Pike continua muito doente e acorrentada à cama do hospital, enfrentando um longo caminho até a recuperação, disseram seus advogados. Ela não consegue engolir nem comer, tem pneumonia, não consegue mover as mãos e os braços "extremamente inchados" e não está claro se recuperará a mobilidade perdida, afirmaram.

Embora ainda apresente "confusão cognitiva", segundo os advogados, ela tem conversado com as pessoas ao seu redor.

"Ela tem querido saber o que aconteceu e perguntou por várias pessoas", disse Spivey. "Ela perguntou pela ‌família da vítima".

Pike foi condenada à morte por seu papel, quando era adolescente, na tortura e assassinato, em 1995, de sua colega de escola Colleen ‌Slemmer, de 19 anos.

Ela é a primeira pessoa ⁠conhecida a ter sobrevivido a uma "tentativa de ⁠execução consumada" nos EUA, afirmam seus advogados, que consideram isso uma violação da proibição constitucional de punições cruéis e incomuns.

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CASO ÚNICO

Os advogados de Pike estão, de ⁠forma inesperada, dando continuidade ao processo contra autoridades estaduais, buscando romper o sigilo que normalmente ‌envolve os procedimentos de execução no Tennessee e ‌em outros Estados.

Na manhã desta quarta-feira, a juíza I'Ashea Myles, do Tribunal de Chancelaria do Condado de Davidson, concordou em ordenar que as autoridades do Tennessee preservem todas as evidências da execução fracassada, incluindo seringas, embalagens de medicamentos e números de lote, cateteres, linhas intravenosas e cintos de imobilização da maca.

A equipe de execução composta exclusivamente por mulheres solicitada por Pike utilizou pelo menos sete agulhas durante ⁠uma provação exaustiva que durou mais de duas horas, e uma agulha estava dobrada em 90 graus quando foi retirada, afirmaram seus advogados.

Myles concordou em grande parte com os advogados de Pike ao final da audiência desta quarta-feira, descrevendo o processo judicial -- que teve início em janeiro com o objetivo de impedir a execução -- como incomum, pois ninguém havia previsto que Pike sobreviveria.

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"Este caso é único, para dizer o mínimo", disse Myles.

Ela também ordenou que o Estado preserve as comunicações internas sobre a tentativa de execução, ‌incluindo relatórios de incidentes, depoimentos de testemunhas e mensagens criptografadas.

Ela ainda não se pronunciou sobre pedido dos advogados de Pike para que o Departamento Penitenciário do Tennessee lhes permita coletar quaisquer vestígios remanescentes das drogas de execução para análise química.

O Departamento Correcional do Tennessee considerou a ⁠ordem de preservação "duplicada e desnecessária", argumentando que já é legalmente obrigado a preservar todas as provas e que já estava disposto a compartilhar a maior parte, se não tudo, do que os advogados de Pike solicitaram.

O Tennessee e outros Estados dos EUA há muito enfrentam dificuldades para adquirir drogas para execuções. Elas não podem ser obtidas junto às grandes empresas farmacêuticas devido a uma proibição comercial europeia que impede empresas de venderem produtos para uso em tortura ou execuções. 

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O Tennessee, assim como outros Estados, recorreu a pequenas farmácias de manipulação, em grande parte não regulamentadas, para fabricar pequenos lotes dos medicamentos, prometendo ocultar sua identidade.

"A audiência de hoje tratou de transparência, sobre por que Christa, os tribunais, a mídia e o público não deveriam simplesmente acreditar na versão do Estado sobre o que aconteceu na última quarta-feira", disse Luke Ihnen, outro advogado de Pike.

Ele reiterou a exigência de que o governador do Tennessee, Bill Lee, comute a pena de Pike para prisão perpétua e nunca mais tente executá-la. Um porta-voz de Lee, que negou um pedido de clemência dois dias antes da execução malsucedida, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Os advogados de Pike haviam buscado uma alternativa à injeção letal, alegando que suas veias finas e condições médicas associadas a deixavam com medo de que algo desse errado.

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