O rei Charles III adotou um tom irônico na noite da última terça-feira (28), durante um jantar de Estado na Casa Branca, em Washington, e fez uma leve provocação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar que, se não fosse pelo Reino Unido, ele provavelmente estaria falando "francês", e não inglês.
Em seu discurso, o monarca britânico fez referência a uma declaração recente de Trump sobre o papel dos Estados Unidos na história europeia. "O senhor observou recentemente que, se não fosse pelos Estados Unidos, os países europeus estariam falando alemão", lembrou Charles III.
Em seguida, em tom leve, acrescentou: "Ouso dizer que, se não fosse por nós, vocês estariam falando francês". O comentário arrancou risos dos presentes, e o rei rapidamente completou: "É claro que ambos amamos profundamente nossos primos franceses".
No início de seu pronunciamento, Charles III já havia brincado com as reformas em andamento na Casa Branca, associando-as a um momento histórico envolvendo o Reino Unido.
"Não posso deixar de notar os 'ajustes' na Ala Leste, senhor presidente, após sua visita ao Castelo de Windsor no ano passado. Lamento dizer que nós, britânicos, fizemos nossa própria tentativa de 'reforma' aqui [na Casa Branca] em 1814", disse o soberano, em referência à Guerra Anglo-Americana, quando tropas britânicas incendiaram a residência presidencial durante um ataque a Washington - um episódio que marcou um dos momentos mais tensos na relação entre os dois países.
O tom provocativo continuou quando Charles III mencionou a relação entre Estados Unidos e Canadá, em uma indireta ao desejo de Trump de transformar o país vizinho no 51ª estado americano.
"Em algumas semanas, os Estados Unidos e o Canadá estarão entre os anfitriões da Copa do Mundo de Futebol. Então, em certo sentido, senhor presidente, como chefes de Estado, somos coanfitriões", declarou o rei.
Durante o evento, Charles III também presenteou o republicano com uma relíquia naval de grande valor histórico - um sino original do HMS Trump, um submarino britânico lançado em 1944 que serviu no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial -, acompanhado de mais uma piada: "Se precisar nos contatar, não hesite em tocar".
Trump, por sua vez, adotou um tom elogioso em seu discurso e destacou a importância histórica da relação entre os dois países, exaltando a "Declaração de Independência" como "um milagre para os séculos vindouros".
Além disso, brindou ao 250º aniversário dos Estados Unidos e à parceria contínua com o Reino Unido, lembrando que a maioria das ex-colônias britânicas não sabe o quanto deve ao Reino Unido.
"Que nossos dois países permaneçam unidos para sempre em nome da justiça e da liberdade", disse o presidente dos EUA, erguendo seu copo para celebrar os "250 anos de liberdade americana e o grande homem", o rei britânico.
Por fim, Trump afirmou que seu país venceu o Irã militarmente e que está "indo muito bem" na guerra: "Derrotamos o adversário no campo militar. Nunca permitiremos que esse adversário ? Charles concorda comigo ? adquira uma arma nuclear".
Ele acrescentou que os Estados Unidos e o Reino Unido lutaram lado a lado, "orgulhosos e triunfantes, contra as forças do comunismo, do fascismo e da tirania".