Chanceler da Alemanha acusa partido de extrema-direita AfD de incitar "limpeza étnica"

9 set 2026 - 09h14
(atualizado às 10h19)
Resumo
Após ser derrotado nas eleições da Saxônia-Anhalt, o chanceler alemão Friedrich Merz acusou o partido de extrema-direita AfD de defender políticas de "remigração" equivalentes à limpeza étnica e de apoiar a Rússia contra os interesses nacionais. Pressionado por baixos índices de aprovação, Merz alertou que expulsar imigrantes geraria escassez severa de mão de obra e colapsaria serviços essenciais. A AfD negou as acusações, alegando agir dentro da lei e acusando o premiê de demonizar a sigla.

O chanceler ‌da Alemanha, Friedrich Merz, acusou nesta quarta-feira o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) de apoiar a Rússia contra os interesses da Alemanha e de defender políticas anti-imigração que equivalem a uma "limpeza étnica".

Merz discursava no Parlamento alemão após a dura derrota de seu partido para a AfD, que conquistou a ⁠vitória nas eleições no Estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país, com uma ‌plataforma que previa a restrição da imigração e a restauração das relações com Moscou.

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Em um email enviado à Reuters, a AfD afirmou que Merz ‌estava deliberadamente deturpando sua posição como forma de ‌demonizar o partido, e afirmou que suas políticas são legais.

Merz está ⁠tentando recuperar a iniciativa após a derrota eleitoral de domingo e seus índices de aprovação, que atingiram níveis historicamente baixos, colocaram em questão sua posição e o programa de reformas de seu governo. Ele rejeitou sugestões de que poderia renunciar.

"Se o que está sendo defendido aqui, a saber, a 'remigração', se tornasse ‌realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica com base ‌na origem e na cor ⁠da pele", disse ⁠Merz, em resposta a um discurso anterior da colíder da AfD, Alice Weidel.

Merz também ⁠criticou os apelos da AfD para que ‌se encerrasse o apoio ‌à Ucrânia, acusando o partido de estar "firmemente do lado da Rússia", mesmo após um ataque planejado com drones a um aeroporto alemão no mês passado, que, segundo Merz, foi realizado por Moscou. A Rússia nega.

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A AfD foi ⁠classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha. Em seu programa eleitoral na Saxônia-Anhalt, o partido defendeu políticas de "remigração" para acelerar as deportações de requerentes de asilo rejeitados e criminosos estrangeiros, além de incentivar as pessoas ‌a partirem voluntariamente.

O partido também quer que os filhos de refugiados sejam ensinados em turmas segregadas.

"Por 'remigração', a AfD se refere à deportação consistente — de acordo ⁠com a lei — de todos os estrangeiros obrigados a deixar o país; nada mais. O chanceler Merz também sabe disso", disse o deputado da AfD Bernd Baumann em um email à Reuters.

"No entanto, atribuir à AfD a limpeza étnica como objetivo político é uma tentativa desesperada e sórdida de manter uma 'barreira de proteção' por meio de uma demonização inventada."

Merz disse que forçar os imigrantes a partir criaria uma escassez de mão de obra qualificada que acabaria sendo um tiro que sai pela culatra.

"Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha permanecerá operacional, e nenhum restaurante conseguirá se manter no mercado — esse seria o resultado da política de remigração deles", disse.

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