Reino Unido convoca chefe do controle de tráfego aéreo após falha, voos são retomados gradualmente

9 set 2026 - 08h56
(atualizado às 09h36)
Resumo
Após uma grave falha no controle de tráfego aéreo britânico que cancelou mais de mil voos e reteve milhares de passageiros, as operações foram retomadas sob fortes críticas. O governo do Reino Unido convocou o chefe da NATS, Martin Rolfe, para prestar esclarecimentos sobre a confiabilidade do sistema, descartando ataque cibernético. Companhias aéreas como a Ryanair pedem a renúncia de Rolfe e exigem mais investimentos em infraestrutura e pessoal, enquanto aeroportos ainda normalizam os horários.

Os voos a partir dos ‌aeroportos britânicos foram retomados nesta quarta-feira após uma grave falha no tráfego aéreo, mas surgiram dúvidas sobre a confiabilidade dos sistemas de aviação do Reino Unido, e os ministros convocaram o chefe do controle de tráfego aéreo para explicar a interrupção.

A interrupção, que durou várias horas na terça-feira e resultou no cancelamento de mais de 1.000 voos, deixando centenas de milhares de passageiros retidos, aumentou a pressão ⁠sobre a NATS, empresa responsável pelo controle de tráfego aéreo, e seu diretor, Martin Rolfe.

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A ministra dos ‌Transportes, Heidi Alexander, ouvirá Rolfe ainda nesta quarta-feira, após tê-lo convocado para explicar o que aconteceu, em meio a preocupações de que a infraestrutura e a tecnologia não estejam à altura das exigências.

A ‌paralisação ocorre três anos após a última falha generalizada do ‌sistema, em agosto de 2023, quando os voos cancelados em um dos dias mais movimentados ⁠do ano custaram às companhias aéreas 100 milhões de libras (US$135 milhões).

Um problema técnico relacionado ao radar também interrompeu voos em julho de 2025, afetando os principais aeroportos, incluindo o maior do Reino Unido, Heathrow.

"Estou buscando garantias de que lições serão aprendidas e de que os sistemas que dão suporte à aviação estejam à altura da tarefa", disse Alexander no X.

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A Ryanair , a maior companhia aérea da Europa, ‌vem pedindo a renúncia de Rolfe desde 2023, enquanto o diretor-geral da Wizz Air no Reino Unido também ‌afirmou que ele deveria reconsiderar ⁠seu cargo.

A Ryanair afirmou que ⁠o espaço aéreo britânico apresentou desempenho inferior ao de outros países.

"Tivemos pequenos problemas em outros lugares, mas nada ⁠na escala que vemos, e vemos constantemente, no Reino Unido", ‌disse o diretor de operações ‌da Ryanair, Neal McMahon, à BBC.

Rolfe, que pediu desculpas às pessoas afetadas pelo problema, negou que o Reino Unido esteja em situação pior do que outros países e afirmou que o serviço de tráfego aéreo do país é bem conceituado do ponto de vista da segurança e ⁠da resiliência.

"Nesta fase, descartamos a possibilidade de ataques cibernéticos", disse Rolfe à BBC quando questionado sobre a causa, acrescentando que acredita que este caso seria diferente das interrupções anteriores.

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Com o reinício das operações, Heathrow informou que os passageiros deveriam verificar com suas companhias aéreas antes de seguirem para o aeroporto, já que os horários teriam sido alterados devido ‌aos problemas ocorridos na terça-feira.

"Esperamos impactos em cadeia à medida que as aeronaves e as tripulações se reposicionam", afirmou o aeroporto mais movimentado do Reino Unido em um comunicado.

"Estamos... trabalhando em estreita colaboração ⁠com nossa equipe local da NATS e com as companhias aéreas parceiras para restabelecer as operações normais o mais rápido possível."

O aeroporto de Londres-Gatwick, o segundo mais movimentado do Reino Unido, e os aeroportos de Luton e Stansted, também informaram que estão operando, mas orientaram os passageiros a verificarem primeiro com suas companhias aéreas. 

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A Ryanair informou que cerca de 150 mil passageiros da empresa foram afetados na terça-feira e que cancelou mais de 200 voos, enquanto a British Airways informou ter cancelado ou desviado 100 voos, com dezenas de milhares de passageiros afetados.

A NATS é uma parceria público-privada cuja propriedade é compartilhada por companhias aéreas, incluindo a British Airways e a easyJet, fundos de pensão e o governo.

Criticando os 175 milhões de libras em dividendos que a NATS pagou aos seus proprietários no ano passado, McMahon, da Ryanair, afirmou que a NATS deveria reinvestir seus lucros em tecnologia e aumentar seu quadro de funcionários.

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