Um ano e meio após desaparecer em Roma, o brasileiro Alphaville Pedrosa de Melo continua sem paradeiro conhecido, e o caso ainda é um grande mistério para a polícia italiana, que não conseguiu avançar de forma decisiva nas investigações.
As autoridades apontam que o jovem de 31 anos, que sumiu sem deixar rastros na noite de 31 de dezembro de 2024, em uma área aberta da reserva natural de Marcigliana, teria se envolvido com traficantes romanos do bairro de Trastevere.
Alphaville, que vive há anos na Europa e domina quatro idiomas, seria considerado um intermediário ideal para turistas e outros clientes estrangeiros ligados aos criminosos.
"As investigações continuam e não queremos acreditar que essa história tenha terminado em tragédia", afirmou à ANSA nesta quinta-feira (28) Rocco Micale, vice-presidente da Associação Penelope, entidade que presta apoio a familiares de desaparecidos na Itália.
Antes de se mudar para a Itália, o brasileiro passou um breve período na Suíça, até receber uma "proposta de trabalho" em Roma.
"Ele me disse que iria trabalhar com entregas", afirmou à ANSA a mãe do desaparecido, Letícia Maria Schneider, que vive em Lisboa, em entrevista concedida em janeiro de 2025.
O último contato entre os dois ocorreu por volta das 14h, de 31 de dezembro de 2024, quando ele, já a caminho do trabalho, informou que seu carro havia apresentado uma "pane".
Letícia sugeriu que o filho abandonasse o veículo e retornasse no dia seguinte com um mecânico para recuperá-lo. Alphaville concordou com a mãe, com quem falava diariamente.
Em 15 de janeiro do ano seguinte, a polícia italiana encontrou o carro do brasileiro na região de Marcigliana ? um Peugeot escuro com placa de Portugal. No interior do veículo, foram localizadas malas, a carteira e o passaporte de Alphaville, além de um casaco e um sapato reconhecidos pela mãe como pertencentes a ele.
A polícia científica, no entanto, não encontrou vestígios de sangue. Desde então, não houve qualquer novo indício sobre o paradeiro do rapaz.
Hoje, Micale revelou que, "ao lado da polícia de Roma e das autoridades competentes, estamos tentando reativar as buscas" na área onde o veículo foi encontrado.
"Se encontrarmos seus restos mortais, ao menos poderemos oferecer um enterro digno e encerrar o sofrimento da mãe, que vive um luto suspenso", concluiu ele, apelando ainda à "Embaixada do Brasil em Roma e a todas as instituições competentes" para que se envolvam na busca por uma solução.