Carney defende aliança entre Canadá e UE e recebe ameaça de Trump

Premiê canadense classificou proposta como 'um farol para outras democracias'

17 set 2026 - 08h33
Resumo
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu uma aliança com a União Europeia para ampliar a cooperação energética, comercial e a resiliência democrática, cogitando ser membro associado do bloco. A iniciativa gerou reação imediata do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou impor pesadas tarifas sobre a Europa e cortar laços comerciais, vendo a ação como hostil. Em resposta, Canadá e UE declararam que a aproximação busca o fortalecimento mútuo e não afeta negativamente Washington.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu nesta quinta-feira (17) o aprofundamento das relações entre seu país e a União Europeia (UE), afirmando que uma eventual aliança entre o país e o bloco poderia servir de referência para outras democracias.

    Durante discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Carney afirmou que a proposta não pretende criar um novo bloco de poder destinado a se tornar rival de outras potências.

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    "Não buscamos o poder de dominar os outros. Pelo contrário, buscamos resiliência para que ninguém possa controlar nossos mercados abertos ou nossa soberania, nem ameaçar nossa integridade territorial e nossas democracias", declarou.

    Segundo o premiê, a combinação dos recursos e capacidades do Canadá e da Europa poderia contribuir para uma ordem internacional que classificou como "justa, estável e próspera".

    "Uma aliança entre o Canadá e a UE serviria como um farol para outras democracias", enfatizou.

    Carney também citou o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe para destacar a necessidade de preservar continuamente os valores democráticos.

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    "Goethe compreendeu que os valores não se defendem sozinhos; a liberdade deve ser conquistada todos os dias", afirmou.

    Ao falar sobre os vínculos entre os dois lados do Atlântico, o premiê canadense recorreu ao conceito de "afinidade eletiva" - aquela tendência de elementos diferentes de se combinarem graças à sua atração intrínseca -, originalmente associado à química e posteriormente utilizado pelo escritor.

    "O Canadá e a Europa não estão unidos pela geografia; estamos unidos por uma afinidade eletiva ?que é escolhida, renovada e, por isso mesmo, ainda mais forte", disse. "Juntos, o Canadá e a Europa são mais fortes." Carney afirmou que Ottawa tem interesse na possibilidade de se tornar o primeiro membro associado da União Europeia e citou pesquisas que, segundo o premiê, indicam apoio majoritário dos canadenses a relações mais estreitas com o bloco.

    Entre as áreas mencionadas estão comércio digital, intercâmbio educacional e cooperação científica e tecnológica. Carney defendeu a participação canadense no programa Erasmus Plus e em uma futura geração do programa Horizon, voltado à pesquisa e inovação.

    Em seu pronunciamento, o primeiro-ministro também destacou o potencial canadense para contribuir com a segurança energética europeia e com a construção de cadeias de abastecimento de matérias-primas e produtos estratégicos.

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    Segundo Carney, o Canadá poderia fornecer gás natural liquefeito (GNL) e hidrogênio em larga escala à Europa. Ele mencionou ainda investimentos em infraestrutura portuária no Extremo Norte e na costa leste do país.

    A proposta, de acordo com o premiê, também permitiria ao Canadá ampliar suas capacidades de processamento avançado, enquanto a Europa teria acesso a fontes consideradas confiáveis de energia e materiais críticos.

    Em coletiva de imprensa ao lado da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, Carney afirmou que a proposta de criar uma aliança com a UE ainda passará por um debate político no Canadá.

    "Naturalmente, haverá um debate no Canadá sobre a aliança com a EU", disse o primeiro-ministro, acrescentando que haverá uma votação no Parlamento canadense.

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    Ele afirmou ainda que os contornos da parceria deverão ser definidos durante uma cúpula prevista para o final de outubro.

    Carney argumentou que a cooperação mais estreita seria uma forma de aumentar a autonomia estratégica de Canadá e Europa diante de possíveis choques econômicos, comerciais e geopolíticos.

    Reação - A aproximação entre Canadá e UE provocou reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que poderia impor tarifas muito elevadas sobre produtos europeus ou até cortar relações comerciais com o bloco caso a proposta de tornar o Canadá um membro associado avance.

    "Eu imporia tarifas muito pesadas sobre produtos vindos da Europa. Fazer isso só pioraria a situação", afirmou Trump.

    Posteriormente, o presidente classificou a proposta como "ridícula" e disse que poderia considerá-la um ato hostil.

    A Comissão Europeia respondeu que a iniciativa não é dirigida contra os Estados Unidos. Um porta-voz do órgão afirmou que, conforme havia esclarecido a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o objetivo da parceria com o Canadá seria o "fortalecimento mútuo".

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    Já Carney rebateu Trump, lembrando que "uma aliança é um processo positivo", principalmente porque "um Canadá mais forte e resiliente é um parceiro mais eficaz também para os Estados Unidos, e o mesmo vale para a UE".

    Para o premiê, o processo de parceria "fortalecerá a soberania do Canadá: "Os canadenses já estão unidos. Ninguém lhes impõe um idioma, nem impõe restrições à cultura ou a parcerias." .

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