O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, pediu uma "nova parceria" com os Estados Unidos para "ajudar a tornar a América grande novamente", em um discurso proferido em Nova York na quinta-feira.
Carney disse que, embora o mundo esteja passando por uma "ruptura" à medida que os EUA transformam suas relações comerciais, trabalhar em estreita colaboração com o Canadá em setores específicos, incluindo alumínio, automóveis e minerais essenciais, fortaleceria os dois países.
Em meio a uma guerra comercial contínua com os EUA, Carney prometeu dobrar as exportações canadenses para outros mercados na próxima década e assinou mais de 20 acordos econômicos e de segurança no último ano. Enquanto Carney falava em Nova York, as autoridades comerciais dos EUA estavam na Cidade do México conversando com autoridades locais sobre a revisão do acordo comercial entre EUA, México e Canadá. Por enquanto, as discussões excluem o Canadá.
Após ameaças do presidente Donald Trump de anexar o Canadá como o 51º Estado, Carney descreveu os laços do Canadá com os EUA como "pontos fracos que precisamos corrigir" e disse que os EUA haviam mudado fundamentalmente sua abordagem ao comércio, elevando as tarifas a níveis vistos pela última vez durante a Grande Depressão.
Em janeiro, Carney se referiu à "hegemonia norte-americana" em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, dizendo que a maior integração com as grandes potências criava "vulnerabilidades a serem exploradas". Ele pediu que as potências médias agissem em conjunto, acrescentando que "se não estivermos à mesa, estaremos no cardápio".
TOM CONCILIATÓRIO
No início desta semana, Carney anunciou planos para que o Canadá compre uma frota de aviões militares da Suécia, em uma mudança da dependência anterior do país em relação aos fabricantes norte-americanos.
Em Nova York, entretanto, o primeiro-ministro adotou um tom mais conciliatório, descrevendo os EUA como "o país mais dinâmico, resiliente e inventivo que o mundo já conheceu". Ele disse que os valores fundadores dos EUA -- liberdade, democracia, justiça e abertura -- "devem continuar a servir como guias para o seu futuro e o do mundo".
Carney reconheceu que, embora os EUA e o Canadá tenham tido disputas, os países sempre trabalharam para superá-las e que um Canadá mais independente torna o país um aliado melhor.
"Em um momento de crise energética global, o Canadá fornece aos Estados Unidos a energia confiável e os minerais essenciais que ajudam a alimentar o crescimento norte-americano", declarou Carney.