Cardeal do Vaticano considera "estranhos" os ataques de Trump ao papa Leão

6 mai 2026 - 14h47
(atualizado às 14h49)

Um cardeal sênior ‌do Vaticano considerou nesta quarta-feira "estranhos" os comentários depreciativos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao papa Leão envolvendo a guerra do Irã, um dia antes de o secretário de Estado dos EUA se reunir com o papa.

Questionado sobre ⁠como avalia os ataques de Trump a Leão, o ‌secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, respondeu: "Para mim, parece um pouco estranho, para dizer o ‌mínimo".

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"Eu não gostaria de entrar em ‌julgamentos ou avaliações pessoais sobre isso", disse o ⁠cardeal a jornalistas do lado de fora de um evento perto do Vaticano.

Leão, que receberá o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no Vaticano para uma reunião na quinta-feira, atraiu a ira de Trump após se ‌tornar um crítico contundente tanto da guerra dos Estados ‌Unidos e Israel ⁠contra o Irã, ⁠quanto das políticas de imigração linha-dura do governo Trump.

O presidente manteve uma ⁠série de ataques ‌públicos ao papa sem ‌precedentes nas últimas semanas, provocando uma reação de líderes cristãos de todo o espectro político.

O embaixador dos EUA na Santa Sé disse a jornalistas na terça-feira ⁠que a conversa entre Leão e Rubio, a primeira conhecida entre o papa e um funcionário do gabinete de Trump em quase um ano, deve provavelmente ser "franca".

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Parolin disse nesta quarta-feira ‌que a reunião foi solicitada pelos EUA. Segundo ele, Leão deve escutar atentamente o que Rubio tem a dizer.

"Imagino ⁠que eles vão falar sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias", disse o cardeal.

Trump sugeriu falsamente na segunda-feira que o papa não veria problema na obtenção de armas nucleares por parte do Irã e que ele estaria "colocando em risco muitos católicos" ao se opor à guerra.

Leão disse a jornalistas após o último ataque de Trump que ele estava apenas divulgando a mensagem cristã de paz. O papa também rejeitou firmemente a ideia de que apoia armas nucleares, que a Igreja Católica ensina serem imorais.

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