Enorme tsunami de 2025 no Alasca foi o segundo maior já registrado

6 mai 2026 - 14h51

O Tracy Arm Fjord, no sudeste do ‌Alasca, dentro da Tongass National Forest, apresenta uma vista majestosa, com uma estreita enseada marítima cercada por imponentes penhascos de granito, cachoeiras e geleiras. Em uma manhã do ano passado, também foi o local de um poderoso deslizamento que provocou um enorme tsunami localizado.

Os pesquisadores agora determinaram que o tsunami de 10 de agosto de ⁠2025 foi o segundo maior já registrado, com uma onda que atingiu até 481 ‌metros de altura -- mais alta do que o Empire State Building da cidade de Nova York. O tsunami atravessou o fiorde, arrancando violentamente a vegetação das paredes ‌rochosas íngremes.

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O fiorde tem sido um destino turístico ‌popular, mas como o tsunami ocorreu às 5h30 da manhã, não havia navios ⁠de cruzeiro ou outros barcos na hidrovia e ninguém ficou ferido.

Os pesquisadores disseram que o deslizamento foi causado pela mudança climática. A geleira que sustentava a montanha havia recuado em meio ao aquecimento das temperaturas, deixando a rocha sem suporte.

"O fato de o deslizamento ter ocorrido tão cedo pela manhã foi uma sorte inacreditável. Da ‌próxima vez -- e haverá uma próxima vez -- talvez não tenhamos tanta sorte", disse o geomorfologista ‌Dan Shugar, da Universidade ⁠de Calgary, principal autor ⁠do estudo publicado nesta quarta-feira na revista Science.

Esses locais têm estado na vanguarda dos impactos da ⁠mudança climática.

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Não havia fotografias ou registros em ‌vídeo do tsunami, então os ‌cientistas reconstruíram os eventos usando fotos aéreas tiradas posteriormente, dados de satélite e sísmicos, trabalho de campo no local e relatos de pessoas que estavam próximas na ocasião.

Tracy Arm, a cerca de 80 km ao sul de Juneau, ⁠capital do Alasca, tem aproximadamente 40 km de comprimento e 1 km de largura, com penhascos ao redor com mais de 1.000 metros de altura. Os pesquisadores determinaram a altura da onda medindo onde ocorreu a remoção da vegetação, deixando cicatrizes dramáticas nas paredes rochosas. A onda subiu ‌tão alto porque o imenso volume de água deslocado pela rocha do deslizamento foi espremido em um espaço confinado.

"A vegetação completamente devastada, como uma marca de banheira ⁠ao redor do fiorde, é provavelmente a diferença mais marcante na aparência atual em comparação com o ano passado, a menos que você estivesse mergulhando e pudesse ver o enorme depósito (de rochas) no fundo do oceano", disse Shugar.

"A vegetação removida forma basicamente uma linha muito nítida, abaixo da qual só há rochas, sedimentos e alguns tocos de árvores, e acima da qual está a floresta virgem, como estava em 9 de agosto, antes do tsunami. São como dois mundos diferentes", acrescentou Shugar.

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Cerca de 64 milhões de metros cúbicos de rocha desmoronaram em um minuto. Isso é 24 vezes o volume da Grande Pirâmide de Gizé, de acordo com o geofísico da University College London e coautor do estudo, Stephen Hicks.

"Esse colapso desencadeou uma onda sísmica observada em todo o mundo", disse Hicks.

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