A BBC alertou, em seu relatório anual divulgado nesta terça-feira, que seu atual modelo de financiamento não é sustentável para custear sua missão de radiodifusão pública, destacando a discrepância entre o número de usuários e aqueles que pagam por seus serviços.
A organização, que entrou em crise no ano passado devido a acusações de parcialidade — o que levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a processá-la —, precisará negociar um novo acordo de financiamento com o governo antes que o atual expire no final de 2027.
As opções incluem manter a taxa de licença paga pelos domicílios que assistem à TV ou adotar um modelo de assinaturas ou financiamento por publicidade.
Aqui estão mais alguns detalhes do relatório anual:
• 94% dos adultos no Reino Unido utilizam a BBC mensalmente, mas apenas 80% dos lares britânicos pagam a taxa de licença.
• O diretor-geral Matt Brittin, ex-executivo do Google que assumiu o cargo em maio, disse que a crise de financiamento é "um momento de real perigo" para a BBC e para o Reino Unido, acrescentando que o trabalho para reinventar a emissora já está em andamento.
• Brittin disse que é correto que o governo esteja analisando o valor da taxa de licença, seu escopo e como ela será cobrada no futuro.
• O governo apoia as conversas da BBC com outras emissoras britânicas, como o Channel 4, sobre a união de conteúdos em uma "plataforma de mídia soberana", disse Brittin.
• A BBC assumiu "um compromisso significativo para melhorar sua cultura, seus processos e seus padrões nos últimos anos", afirmou, após uma série de escândalos de grande repercussão.
• Entre suas estrelas mais bem pagas estavam os apresentadores de rádio Scott Mills, que recebia um salário anual entre 745.000 e 749.999 libras, e Greg James, que recebia entre 440.000 e 449.999 libras por ano. A apresentadora política Laura Kuenssberg recebia entre 405.000 e 409.999 libras.
• Scott Mills foi demitido em março, após alegações sobre sua conduta pessoal.