Banco mais antigo do mundo lança oferta dupla para escapar de ser comprado

Plano apresentado pelo MPS movimentou o mercado bancário italiano

21 ago 2026 - 09h43
Resumo
Para evitar a aquisição pelo Intesa Sanpaolo, o Monte dei Paschi di Siena (MPS), banco mais antigo do mundo, lançou uma oferta de 34 bilhões de euros para comprar o Banco BPM e a Banca Generali. A operação por troca de ações visa criar um grupo avaliado em 80 bilhões de euros, posicionando-o como o segundo maior da Itália e entre os dez maiores da Europa. Aprovado pelo conselho de administração, o plano defensivo ainda precisa ser ratificado pela assembleia de acionistas do MPS.

O banco italiano Monte dei Paschi di Siena (MPS), tido como o mais antigo do mundo ainda em operação, lançou nesta sexta-feira (21) uma surpreendente oferta por outras duas instituições financeiras, o Banco BPM e a Banca Generali, para evitar ser adquirido pelo Intesa Sanpaolo, líder do mercado bancário no país.

    O plano, apresentado pelo CEO do MPS, Luigi Lovaglio, foi aprovado pelo conselho de administração na última quinta-feira (20) e comunicado ao mercado nesta sexta (21). Ele prevê que as duas transações, ambas por meio de trocas de ações, totalizem cerca de 34 bilhões de euros (R$ 205,8 bilhões).

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    A maior oferta, de 25,3 bilhões (R$ 153,15 bilhões), é pelo BPM, quarto maior banco da Itália (o MPS é o terceiro). Outros 8,72 bilhões (R$ 52,8 bilhões) seriam gastos para comprar a Banca Generali, braço de gestão de patrimônio da Generali, maior seguradora do país.

    O objetivo é barrar uma oferta de 30,6 bilhões de euros (R$ 185,2 bilhões) formalizada pelo Intesa em junho passado, e o plano que também inclui a distribuição de 4 bilhões de euros para os acionistas do MPS, sendo 1 bilhão em dinheiro e o restante em ações da Banca Generali.

    Lovaglio afirmou que a combinação de MPS, BPM e Banca Generali criaria um grupo de 80 bilhões de euros, figurando entre os 10 maiores bancos europeus e se tornando o segundo maior da Itália. "Estamos criando um grupo italiano mais forte, de relevância europeia, enraizado na economia nacional e pronto para competir em um setor em constante evolução", explicou o CEO em uma conferência com analistas.

    "Estou profundamente convencido de que as características deste projeto permitirão que essa transação prossiga de forma amigável, pois ela cria um valor enorme", acrescentou.

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    Fundado em 1472, em Siena, o MPS chegou a ficar à beira da falência em 2017 devido à elevada presença de créditos deteriorados ? empréstimos que dificilmente serão pagos ? em sua carteira, mas foi socorrido pelo Estado italiano e, após sanar suas finanças, se tornou cobiçado no mercado.

    Em 2025, o MPS chacoalhou o sistema financeiro italiano ao comprar o Mediobanca, o mais prestigiado banco de investimentos do país, movimento que atraiu o interesse de concorrentes maiores. Em junho, o BPM apresentou à companhia de Siena uma proposta de fusão em igualdade de condições para romper o duopólio formado por Intesa e UniCredit (segundo maior banco da Itália).

    Dois dias depois, o Intesa formalizou uma oferta pública de aquisição aos acionistas do MPS, o que fez o BPM desistir da ideia de fusão, deixando o banco mais antigo do mundo exposto a uma eventual compra.

    Nesse contexto, o ambicioso plano divulgado nesta sexta-feira mira aumentar o tamanho do MPS e desestimular ofensivas de compradores. Pelo BPM, o Monte dei Paschi di Siena ofereceu 1,567 ação própria por cada papel do concorrente. Pela Banca Generali, 6,958 ações por uma.

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    O MPS também possui 13% da seguradora Generali, participação que diminuiria para 4,5%, o que poderia torná-lo menos interessante para o Intesa Sanpaolo. O plano, no entanto, ainda precisa da aprovação da assembleia de acionistas do banco de Siena. .

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