Ebola se espalha exponencialmente no Congo, com número de mortos ultrapassando 2.500, diz ONU

21 ago 2026 - 09h07
(atualizado às 09h30)
Resumo
O surto de Ebola na República Democrática do Congo já causou mais de 2.500 mortes e se espalha exponencialmente por uma área maior que a França, tornando-se o maior da história do país. Causada pela cepa Bundibugyo, sem vacinas ou tratamentos aprovados, a epidemia enfrenta iminente escassez de recursos financeiros. Além do vírus, profissionais de saúde lidam com a falta de verbas e ataques violentos da população local, motivados pelo medo, restrições e teorias da conspiração.

Mais de 2.500 pessoas já ‌morreram no surto de Ebola na República Democrática do Congo, que está se espalhando exponencialmente por uma área maior do que a França, afirmou nesta sexta-feira Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola.

Em uma videochamada da cidade de Bunia, no nordeste do Congo, Harneis pediu ⁠mais ajuda, afirmando que os recursos financeiros disponíveis devem se esgotar em ‌poucas semanas.

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Os profissionais de saúde da região estavam sendo atacados por moradores locais enfurecidos e aterrorizados pelo surto, e eles próprios estavam adoecendo ‌e morrendo vítimas da doença, acrescentou ele.

A ‌17ª epidemia de Ebola no Congo tornou-se a maior da ⁠história do país em termos de número de casos no final de julho, superando o pior surto anterior, ocorrido entre 2018 e 2020. Ela é causada pela cepa Bundibugyo do Ebola, para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados.

"O surto de Ebola está crescendo exponencialmente", disse Harneis.

"A ‌epidemia está se espalhando por uma área maior do que a França, ‌e o surto está ⁠crescendo mais rápido ⁠e se alastrando mais do que a resposta ao Ebola. E tudo isso está ⁠acontecendo em uma região que passou ‌por três décadas de ‌conflito e está gerando enormes necessidades humanitárias."

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Cerca de 160 profissionais de saúde adoeceram com o Ebola, e 43 deles morreram, segundo ele.

"E então, quando reagimos, além da ameaça do vírus, profissionais de saúde ⁠e trabalhadores da linha de frente têm sido atacados por jovens, ambulâncias têm sido incendiadas e apedrejadas, e as unidades de saúde têm sido atacadas", disse ele.

"O medo se traduz em jovens enfurecidos que começam a atirar pedras contra o objeto ‌de seu medo: a ambulância", acrescentou.

Outros profissionais de ajuda humanitária afirmaram que os moradores locais acreditam em teorias da conspiração de que o ⁠surto é uma farsa e têm reagido com raiva quando as restrições sanitárias os impedem de enterrar pessoalmente seus entes queridos.

Houve mais de 260 ataques a profissionais de saúde nos últimos seis meses e oito deles foram mortos, disse Harneis, "o que é obviamente aterrorizante, pois as pessoas já estão arriscando suas vidas para lidar com o Ebola".

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Os cortes na ajuda humanitária nos últimos anos reduziram a capacidade das organizações humanitárias, afirmou.

Outro problema é o pagamento das dezenas de milhares de pessoas envolvidas no combate ao surto, disse ele. Os serviços bancários foram afetados depois que o governo suspendeu os voos comerciais, prejudicando assim os meios pelos quais o dinheiro é entregue aos bancos.

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