Autoridades dos EUA fizeram uma operação de busca na casa da deputada democrata Ilhan Omar, em Washington, no âmbito de uma investigação criminal sobre fraude em seus documentos de imigração da infância. Alvo constante de ataques de Donald Trump, a parlamentar progressista concorre à reeleição. A ação ocorreu a semanas das eleições, contrariando a prática do Departamento de Justiça de evitar medidas contra candidatos no período eleitoral, em meio a críticas pela retórica anti-imigração de Trump.
Autoridades norte-americanas realizaram na madrugada desta segunda-feira uma operação na residência da deputada federal democrata Ilhan Omar, do estado de Minnesota, na região de Washington, uma crítica ferrenha de Donald Trump que tem sido alvo de insultos políticos por parte do presidente republicano.
A operação ocorreu após uma investigação criminal por fraude relacionada à documentação de imigração da legisladora nascida na Somália, que havia sido preenchida por seu falecido pai quando ela era criança, informou a Fox News Digital, citando fontes não identificadas.
"Hoje, na região de Washington, DC, a Agência de Investigações de Segurança Interna (HSI) executou um mandado de busca autorizado judicialmente e obtido pelo Departamento de Justiça. Essa ação de fiscalização faz parte de uma investigação federal em andamento", afirmou um porta-voz do Departamento de Justiça por email.
Um porta-voz de Omar não respondeu imediatamente a um pedido da Reuters para comentário.
A operação foi realizada pouco mais de três semanas antes das eleições intermediárias de 3 de novembro, quando o partido de Trump tentará defender suas maiorias estreitas no Congresso dos EUA. Omar, uma proeminente progressista que concorre à reeleição, representa um distrito seguro para os democratas. Ela conquistou a reeleição em 2024 por uma margem de 50 pontos percentuais.
A política do Departamento de Justiça proíbe que promotores e agentes federais programem qualquer ação com o objetivo de influenciar o resultado de uma eleição ou beneficiar um candidato ou partido político. O departamento tem historicamente evitado tomar medidas investigativas contra candidatos políticos nos cerca de 60 dias que antecedem uma eleição.
"OBSESSÃO ASSUSTADORA"
Omar tem enfrentado insultos políticos de Trump, que apresentou a comunidade somali-americana como uma ameaça a Minnesota em uma onda de retórica antissomalí e antimuçulmana. Omar classificou o foco de Trump nela como uma "obsessão doentia e assustadora".
Na semana passada, Trump chamou o candidato democrata de Michigan ao Senado dos EUA, Abdul El-Sayed, que é muçulmano, de "extremista radical" e "simpatizante do terrorismo", ao mesmo tempo em que ofereceu apoio ao adversário republicano de El-Sayed, Mike Rogers.
Defensores dos direitos civis criticaram a retórica de Trump em relação às minorias e aos imigrantes, inclusive quando ele anteriormente chamou os somalis de "lixo".
Em fevereiro, Trump afirmou que Omar e a deputada democrata Rashida Tlaib, de Michigan, que também é muçulmana, deveriam ser "internadas" e mandadas de volta para "o lugar de onde vieram". Ambas as legisladoras haviam criticado Trump durante seu discurso sobre o Estado da União, enquanto ele elogiava a linha dura de seu governo na repressão à imigração e suas ações de fiscalização migratória.
Omar afirmou que ela e sua família receberam ameaças de morte, que ela atribui à "retórica política de ódio", especialmente por parte de Trump.
No mês passado, um homem de Minnesota que jogou vinagre em Omar foi condenado a um ano e dois meses de prisão após se declarar culpado de agredir uma autoridade federal. Anthony James Kazmierczak admitiu ter atacado Omar porque discorda de suas visões políticas progressistas.